Trump afirma que EUA anexarão a Groenlândia “do jeito fácil ou do jeito difícil” em declarações polêmicas
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou o tom em relação à Groenlândia, território autônomo sob soberania da Dinamarca, ao declarar que Washington tomará “alguma providência” para anexar a ilha, preferencialmente por meio de acordo pacífico, mas sem descartar opções mais agressivas.
As falas, proferidas em 9 de janeiro de 2026 durante reunião com executivos do setor petrolífero, geraram imediata repercussão internacional e reacenderam o debate sobre a soberania da região ártica.
Trump enfatizou a necessidade estratégica de impedir que potências rivais ocupem o território:
“Vamos fazer algo na Groenlândia, quer eles gostem ou não. Porque se não fizermos, a Rússia ou a China vão tomar a Groenlândia e não vamos querer a Rússia ou a China como vizinhas. Entendeu?”.
Ele expressou preferência por uma solução negociada, mas foi enfático ao adicionar: “Eu gostaria de fazer um acordo, sabe, do jeito fácil, mas se não fizermos do jeito fácil, vamos fazer do jeito difícil”.
O presidente questionou ainda a legitimidade histórica da soberania dinamarquesa, afirmando:
“Sou um grande fã [da Dinamarca], mas o fato de um barco deles ter atracado lá há 500 anos não significa que eles sejam donos da terra”.
Contexto estratégico e histórico
A Groenlândia é vista como peça-chave para a segurança nacional americana devido à sua localização estratégica no Ártico, à presença da Base Espacial de Pituffik (antiga Thule, mantida pelos EUA), às vastas reservas de minerais críticos (essenciais para tecnologias verdes e defesa), e ao potencial de novas rotas marítimas abertas pelo derretimento do gelo polar.
Trump já manifestou interesse na aquisição da ilha em 2019 (durante seu primeiro mandato) e retomou o tema com maior intensidade após operações militares recentes, como a captura de Nicolás Maduro na Venezuela em janeiro de 2026.
A Casa Branca admitiu avaliar “diversos cenários”, incluindo compra, enquanto o secretário de Estado Marco Rubio defendeu a negociação em reuniões com parlamentares republicanos.
Reações da Dinamarca e da Groenlândia
A primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen reagiu com firmeza, alertando que qualquer ação militar contra a Groenlândia representaria o fim da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), dada a obrigação de defesa coletiva do Artigo 5.
A Groenlândia, com direito à autodeterminação desde 1979 (embora política externa e defesa permaneçam com a Dinamarca), pode decidir sua independência por referendo.
Líderes europeus e nórdicos (incluindo Noruega, Suécia e Finlândia) manifestaram solidariedade, condenando a retórica como ameaça à soberania.
O governo groenlandês emitiu nota conjunta dos cinco partidos do parlamento local rejeitando as declarações de Trump.
As ameaças de Trump ocorrem em meio a uma política externa mais assertiva dos EUA, com intervenções na América Latina e pressões sobre vizinhos como o México.
Especialistas veem risco de crise na aliança transatlântica e possível paradoxo na OTAN, onde aliados poderiam ser obrigados a defender a Dinamarca contra os próprios Estados Unidos.


















