Irã planeja executar manifestante Erfan Soltani em julgamento relâmpago durante onda de protestos
O regime iraniano deve executar nesta quarta-feira (14 de janeiro de 2026) o jovem Erfan Soltani, de 26 anos, preso há poucos dias por suposta participação nos protestos antigovernamentais que sacodem o país desde o final de dezembro de 2025.
Segundo organizações de direitos humanos, como a Hengaw Organization for Human Rights e a Iran Human Rights (IHRNGO), Soltani foi condenado à morte sem acesso a advogado, sem audiência judicial e em um processo extremamente acelerado, configurando o que seria a primeira execução ligada à atual onda de manifestações contra o regime dos aiatolás.
Erfan Soltani, residente de Fardis, no subúrbio de Karaj (próximo a Teerã), trabalhava na indústria de vestuário e era descrito por familiares como apaixonado por moda. Ele foi detido em sua casa no dia 8 de janeiro de 2026, durante confrontos relacionados aos protestos.
A família recebeu a informação da sentença de morte apenas dias depois, sendo informada de que a pena era definitiva. Eles tiveram permissão para uma breve visita de despedida de cerca de dez minutos.
Organizações denunciam que o jovem foi privado de direitos básicos, incluindo defesa legal. Sua irmã, que é advogada, tentou acessar o processo, mas foi impedida e ameaçada pelas autoridades. Fontes próximas à família relataram ao portal IranWire:
“A família está sob extrema pressão. Até mesmo um parente próximo, que é advogado, tentou assumir o caso, mas foi impedido e ameaçado por agentes de segurança. Disseram a ele: ‘Não há processo para analisar. Anunciamos que qualquer pessoa presa nos protestos será executada.’”
A acusação contra Soltani inclui o crime de moharebeh (traduzido como “inimizade contra Deus” ou “waging war against God”), punível com pena de morte no Irã. A execução seria por enforcamento, método comum no país.
O caso ocorre em meio à repressão violenta aos protestos, que já entraram na terceira semana e se espalharam por mais de 100 cidades em todas as 31 províncias iranianas. As manifestações, inicialmente motivadas por crise econômica, evoluíram para demandas pelo fim do regime dos aiatolás.
Estimativas variam: a agência Human Rights Activists News Agency (HRANA) reporta mais de 2.400 mortos e 18.137 detidos; outras fontes, como o próprio governo iraniano, admitem cerca de 2.000 óbitos, atribuindo-os a “terroristas”; enquanto a IHRNGO projeta números ainda maiores diante do blackout de internet e bloqueio informativo.
O caso ganhou atenção internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu o Irã contra execuções de manifestantes, afirmando em entrevista à CBS que adotaria “medidas fortes” caso ocorram enforcamentos.
Nas redes sociais, Trump escreveu:
“Patriotas iranianos, CONTINUEM PROTESTANDO — ASSUMAM O CONTROLE DE SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto. Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que a matança sem sentido de manifestantes PARE. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO”.
O Departamento de Estado americano criticou o processo:
“Desta vez, o regime da República Islâmica nem sequer se deu ao trabalho de realizar seu habitual julgamento de fachada de 10 minutos; Erfan foi condenado à morte sem qualquer devido processo legal ou acesso a um advogado de defesa”.
O governo iraniano rebateu, acusando os EUA e Israel de interferência e responsabilidade por mortes civis. O embaixador iraniano na ONU, Amir Saeid Iravani, declarou:
“Os Estados Unidos e o regime israelense têm responsabilidade legal direta e inegável pela perda resultante de vidas civis inocentes, especialmente entre os jovens”.
Especialistas em direitos humanos alertam que a execução de Soltani pode ser usada como instrumento de intimidação para dissuadir novas manifestações. Até o momento (manhã de 14 de janeiro de 2026), não há confirmação oficial da realização da pena, mas o temor é alto entre familiares e ativistas.

















