O ministro André Mendonça, novo relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), garantiu à Polícia Federal (PF) plena liberdade de atuação na investigação, sinalizando uma mudança de tom em relação ao período anterior sob a relatoria de Dias Toffoli.
Em conversas reservadas com interlocutores, Mendonça afirmou que a corporação terá “carta branca” para prosseguir com as apurações sobre as supostas fraudes financeiras no conglomerado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que levou à intervenção e liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central em 2025. O magistrado classificou o caso como o mais relevante de sua trajetória no STF, declarando que ele “vai marcar sua biografia” e que pretende conduzi-lo com “extrema correção”.
A declaração representa um contraponto claro às restrições impostas anteriormente: Toffoli havia determinado que materiais apreendidos em operações permanecessem em seu gabinete e fossem analisados apenas por peritos por ele designados, gerando atritos com a PF. Mendonça, sorteado relator após o afastamento de Toffoli em fevereiro de 2026, já se reuniu com delegados da corporação para alinhar os próximos passos e solicitou novo relatório detalhado, com previsão de entrega até a próxima segunda-feira (23/02/2026).
O inquérito investiga irregularidades bilionárias, incluindo possíveis conexões com autoridades de alto escalão. O foco inclui o contrato de R$ 129 milhões firmado pelo escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes com o Banco Master, que colocou Moraes no centro de questionamentos sobre conflito de interesses. Nos bastidores, Moraes teria alertado o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, de que qualquer achado envolvendo autoridade tornaria a investigação um “papel sujo”, sugerindo anulação caso isso ocorresse.
A postura de Mendonça é interpretada como sinal de maior autonomia à PF, em um momento de alta sensibilidade institucional. O ministro avalia se o processo permanece no STF (devido a foro privilegiado) ou se será remetido à primeira instância, podendo rever decisões anteriores de Toffoli.


















