Investigação da PF revela esquema de “cripto-cabo” usado por lojistas para remeter fortunas ao exterior sem rastro bancário oficial
Uma empresa sancionada pelos Estados Unidos por supostas conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC) operava como uma casa de câmbio invisível para comerciantes chineses no Brasil. É o que aponta investigação da Polícia Federal (PF) sobre a Victory Trading.

Conforme documentos obtidos pela coluna, os investigados utilizavam a estrutura da Victory Trading como uma espécie de “casa de câmbio invisível” para escoar fortunas para fora do país, especialmente o chamado “dólar China”, mercado voltado a lojistas que vendem eletrônicos e acessórios.
O mecanismo funcionava por meio do “cripto-cabo”: comerciantes chineses entregavam grandes quantias em reais e recebiam o equivalente em USDT (stablecoin pareada ao dólar).
A PF identificou remessas de 152 milhões de USDT (mais de R$ 872,9 milhões) em apenas 198 dias por meio da principal carteira digital da rede. A polícia ainda investiga quanto desse valor corresponde a recursos de lojistas chineses.
Documentos mostram que Hong Kong e Taiwan serviam como bases operacionais. As transferências eram concluídas em cerca de 10 minutos para carteiras digitais no exterior.
A Victory Trading era comandada por Victor Henrique de Oliveira Shimada, também sancionado pelos EUA e atualmente foragido. A PF detalha que o esquema usava falsificação de assinaturas e estruturas paralelas para driblar controles de compliance bancário.


















