Queda de 45% mas supera expectativas no 4T e sinaliza recuperação
O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou nesta semana seus resultados financeiros referentes ao ano de 2025 e ao quarto trimestre, mostrando um lucro líquido ajustado de R$ 20,7 bilhões no acumulado do ano — queda de 45,4% em relação a 2024. Apesar da retração anual, o desempenho do 4T25 trouxe alívio: lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, superando as projeções de mercado (cerca de R$ 4,5 bilhões), com alta de 51,7% ante o terceiro trimestre e queda de 40,1% na comparação anual.
A presidente-executiva Tarciana Medeiros destacou otimismo cauteloso: “Nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão”
O banco enfrentou pressões significativas em 2025, especialmente no agronegócio, com destaque para um calote isolado de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa no segmento atacado (carteira de títulos e valores mobiliários), que elevou a inadimplência acima de 90 dias para 5,17% no 4T (ante 4,51% no 3T e 3,16% um ano antes). Sem esse evento, a inadimplência ajustada ficaria em 4,88%. No agro, o índice subiu para 6,09%.
Destaques do Balanço
- Carteira de crédito expandida: Quase R$ 1,3 trilhão em dezembro/2025 (+1,4% no trimestre, +2,5% anual).
- Pessoa física: Crescimento de 1,8% no trimestre e 7,6% anual; inadimplência em 6,56%.
- Margem financeira bruta: R$ 27,8 bilhões (+3,8% ante 2024).
- Custo do crédito: R$ 18 bilhões no 4T (+93,9% anual).
- ROE (retorno sobre patrimônio): 12,4% no 4T (melhora ante 8,4% no 3T).
- Índices de capital: Nível 1 em 14,26% e Basileia em 15,13%.
- JCP complementar: Anunciado R$ 1,2 bilhão.
As ações BBAS3 reagiram positivamente, subindo cerca de 3,8% após a divulgação.
Projeções para 2026: Recuperação Conservadora
O BB divulgou guidance para 2026 prevendo:
- Lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões (acima de 2025).
- Expansão da carteira de crédito de 0,5% a 4,5% (com 6% a 10% em pessoa física).
- Custo do crédito entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões.
- Margem financeira bruta +4% a +8%.
Executivos reconhecem que 2026 seguirá desafiador, com foco em contenção de despesas, disciplina no crédito e recuperação gradual no agronegócio.


















