Déficit nas contas externas do Brasil fecha 2025 em US$ 68,8 Bilhões, maior valor desde 2014, segundo Banco Central
O Banco Central do Brasil divulgou na segunda-feira (26) os dados consolidados das transações correntes para o ano de 2025, revelando um déficit em conta corrente de US$ 68,8 bilhões (exatamente US$ 68,791 bilhões).
Esse resultado representa o pior desempenho anual desde 2014, quando o rombo atingiu US$ 110,5 bilhões, e marca um aumento em relação aos US$ 66,2 bilhões registrados em 2024.
O saldo negativo equivale a 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para 2025, valor praticamente estável em comparação com os 3,03% de 2024, apesar do crescimento nominal do déficit.
O anúncio ocorre em meio ao governo Lula (PT), que tem enfrentado críticas da oposição sobre a condução da economia externa e o impacto de fatores como a redução do superávit comercial, déficits elevados na conta de serviços e na renda primária (pagamento de lucros, dividendos e juros ao exterior).
Entre os componentes que pesaram no resultado:
- A balança comercial manteve superávit robusto, mas menor que o pico recente, contribuindo menos para compensar os outros déficits;
- A conta de serviços fechou com rombo de US$ 52,9 bilhões (incluindo viagens, transportes e serviços financeiros);
- A renda primária registrou déficit de US$ 81,3 bilhões.
Apesar do avanço no rombo, o investimento direto estrangeiro (IDE) no país continuou forte, somando US$ 77,7 bilhões no acumulado de 2025, o que ajudou a financiar o déficit externo sem pressões imediatas sobre as reservas internacionais ou o câmbio.
O dado reforça debates sobre sustentabilidade das contas externas brasileiras em 2026, ano eleitoral, com projeções de possível alívio no déficit caso haja expansão das exportações e contenção nas importações.


















