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Canadá elabora modelo militar para hipotética invasão dos EUA

Táticas de Guerrilha Inspiradas no Afeganistão

Pela primeira vez em mais de um século, as Forças Armadas do Canadá desenvolveram um modelo teórico de resposta a uma possível invasão militar pelos Estados Unidos. A revelação foi feita pelo jornal canadense The Globe and Mail, que ouviu dois altos funcionários do governo.

O cenário considera a superioridade esmagadora do poderio militar americano, prevendo que as forças dos EUA superariam posições estratégicas canadenses em terra e mar em poucos dias — possivelmente em até 48 horas. Diante da impossibilidade de defesa convencional, o plano aposta em guerra não convencional, com emprego de táticas de insurgência e resistência prolongada.

Segundo as fontes consultadas, o modelo prevê a criação de uma reserva de mais de 400 mil voluntários, que poderiam ser armados e mobilizados.

Pequenos grupos de militares irregulares ou civis armados realizariam ações como emboscadas, sabotagens, ataques com drones e operações de “ataque e fuga”.

Um dos oficiais destacou que o planejamento inclui táticas semelhantes às usadas pelos mujahidin afegãos contra tropas soviéticas durante a guerra no Afeganistão (1979-1989) — as mesmas que, mais tarde, foram empregadas contra forças lideradas pelos próprios EUA no mesmo país.

Os responsáveis enfatizaram que se trata de um exercício conceitual e estratégico, não de um plano operacional detalhado. Eles consideram altamente improvável uma invasão real pelos Estados Unidos, especialmente no contexto das relações históricas entre os dois países.

O modelo serve para reflexão sobre cenários extremos e para avaliar opções assimétricas em caso de ameaça existencial.

A notícia surge em meio a tensões diplomáticas recentes, agravadas por declarações do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de o Canadá se tornar o 51º estado americano, além de discussões sobre a Groenlândia e tarifas comerciais.

Apesar disso, autoridades canadenses reforçam que o exercício é puramente hipotético e não reflete expectativa real de conflito.

Especialistas em defesa destacam que, em um cenário de ocupação, o Canadá poderia buscar apoio de aliados europeus, como França e Reino Unido, para impor custos elevados ao invasor por meio de resistência prolongada.

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