União Brasil expulsa ministro Celso Sabino por infidelidade partidária após rompimento com governo Lula
Em um desfecho esperado para semanas de tensão interna, a Comissão Executiva Nacional do União Brasil aprovou, nesta segunda-feira (8/12), por unanimidade e em votação secreta com 24 votos favoráveis, a expulsão do ministro do Turismo, Celso Sabino.
A decisão, tomada durante reunião na sede da legenda em Brasília, cancela a filiação do deputado federal licenciado e marca o ponto final ao embate entre o parlamentar paraense e a cúpula partidária, que rompeu com o governo do petista Lula da Silva em setembro.
“A expulsão decorre de uma representação apresentada contra Sabino, que permaneceu no governo federal, em atitude contrária a uma determinação do partido anunciada em setembro envolvendo todos os filiados”, afirmou o partido em nota oficial divulgada após o encontro.
O texto reforça que a medida atende ao parecer unânime do Conselho de Ética da sigla, aprovado em 25 de novembro, e estende-se à intervenção no diretório estadual do Pará – presidido por Sabino até então –, agora sob comando de uma Comissão Executiva Interventora.
O processo contra o ministro ganhou tração em setembro, quando o União Brasil, em meio a divergências com a gestão petista, concedeu um ultimato de 30 dias (posteriormente reduzido a 24 horas em alguns relatos) para que filiados ocupantes de cargos no Executivo federal deixassem suas posições, sob pena de enquadramento por “infidelidade partidária”.
Sabino, que assumiu a pasta em julho de 2023 substituindo Daniela Carneiro, optou por permanecer, citando compromissos administrativos e a proximidade da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), marcada para Belém (PA) em 2025.
Em reação à pressão, o ministro anunciou inicialmente a entrega de uma carta de demissão a Lula, mas recuou após o petista pedir que ele ficasse “por mais tempo”, especialmente para coordenar eventos como a COP30 em seu estado natal. A recusa em sair levou ao afastamento provisório de Sabino do partido em outubro e à abertura formal de processo ético, culminando na expulsão de hoje.
Íntegra da nota oficial do União Brasil

“Celso Sabino não integra mais os quadros do União Brasil
A Comissão Executiva Nacional do União Brasil decidiu, durante reunião realizada na tarde desta segunda-feira (8), pela expulsão com cancelamento de filiação do deputado federal e atual ministro do Turismo, Celso Sabino.
A expulsão decorre de uma representação apresentada contra Sabino, que permaneceu no Governo Federal, em atitude contrária a uma determinação do partido anunciada em setembro envolvendo todos os filiados.
Atendendo a outra representação, a Comissão deliberou sobre a intervenção no Diretório Estadual do Pará, que passa a ser presidido por uma Comissão Executiva Interventora.”
Impactos políticos e perspectivas eleitorais
A desfiliação não ameaça o mandato de Sabino na Câmara dos Deputados, onde cumpre seu segundo período como licenciado. De acordo com jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele está apto a se filiar a outra legenda sem perda de direitos, o que abre caminho para sua pré-candidatura ao Senado pelo Pará nas eleições de 2026 – um plano que o parlamentar já ventilava publicamente.
Nas redes sociais, Sabino reagiu à decisão com críticas veladas à direção partidária, defendendo sua permanência no governo como ato de “responsabilidade administrativa” e lealdade ao “melhor projeto para o Brasil”.
Em lives recentes, ele enfatizou que saiu do União com “cabeça erguida e ficha limpa”, priorizando projetos nacionais sobre imposições internas.
Analistas políticos veem o episódio como um sinal de endurecimento do União Brasil na oposição a Lula, especialmente após o desembarque em massa de setembro, que preservou apenas indicados sem mandato eletivo.
O caso expõe fissuras no centrão, com o Pará – reduto eleitoral chave para Sabino – agora sob intervenção partidária, o que pode complicar alianças locais.
Enquanto isso, o Ministério do Turismo segue sob sua gestão, com foco na agenda climática e no turismo sustentável, mas o episódio pode isolar o ministro em negociações futuras no Congresso.


















