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China pede para que Trump abandone narrativa de ameaça chinesa

China cobra Trump: pare de usar ‘ameaça chinesa’ como pretexto para interesses na Groenlândia

Pequim intensificou o tom contra as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia.

Nesta segunda-feira (19/1), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, pediu que Washington abandone a narrativa de “ameaça chinesa” para justificar ambições no território autônomo da Dinamarca.

Em entrevista coletiva em Pequim, transmitida pela emissora estatal CCTV, o diplomata chinês afirmou: “Instamos os EUA a pararem de usar a chamada ‘ameaça chinesa’ como pretexto para buscar ganhos egoístas”.

Guo Jiakun reforçou ainda: “A China já deixou clara sua posição em diversas ocasiões sobre a Groenlândia. O direito internacional, fundamentado nos propósitos e princípios da Carta da ONU, é a base da atual ordem internacional e deve ser respeitado”.

A declaração surge em meio à escalada de tensões provocada por Trump, que tem defendido a aquisição ou controle total da Groenlândia por razões de segurança nacional.

O presidente americano argumenta que os EUA precisam da ilha para evitar que Rússia ou China ganhem influência no Ártico, região rica em recursos minerais estratégicos e rotas marítimas emergentes devido ao derretimento do gelo.

Recentemente, Trump anunciou tarifas progressivas sobre exportações de países europeus — começando em 10% e podendo chegar a 25% —, condicionando a suspensão das medidas a um acordo para a “aquisição completa e total” da Groenlândia pela União.

A medida gerou forte rejeição na Europa, inclusive da Dinamarca, que mantém a soberania sobre o território, e protestos na própria Groenlândia.

A China nega qualquer intenção de interferir ou anexar a ilha, enfatizando que suas atividades no Ártico visam promover paz, estabilidade e desenvolvimento sustentável, sempre em conformidade com o direito internacional.

Analistas observam que a presença chinesa na região é limitada, sem bases militares próximas ou capacidade real para uma ocupação, o que enfraquece a narrativa de “ameaça iminente” usada por Trump.

O episódio reforça o debate sobre a estratégia americana no Ártico e o impacto nas relações com aliados da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Enquanto Trump insiste na necessidade de “propriedade” para defesa efetiva — diferenciando de acordos de arrendamento existentes —, críticos apontam que as alegações sobre navios chineses ou russos “por toda parte” na Groenlândia carecem de evidências concretas.

Até o momento, não há indícios de negociações avançadas para uma venda ou transferência de soberania.

A Groenlândia, com população de cerca de 57 mil habitantes, tem autonomia crescente e maioria da população oposta a uma integração aos EUA, conforme pesquisas recentes.

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