Mensagens obtidas pela Polícia Federal detalham os diálogos de bastidores que antecederam a milionária transação envolvendo a Steelcorp e o Banco de Brasília
Novos desdobramentos de investigações de grande repercussão econômica trouxeram à tona detalhes cruciais sobre as negociações financeiras envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o empresário e apresentador Roberto Justus. Registros de mensagens obtidos pela Polícia Federal mostram que, enquanto Vorcaro discutia os termos para a revender de sua participação na empresa Steelcorp diretamente para Justus, ele articulava em paralelo uma tratativa muito mais vantajosa com o Banco de Brasília (BRB). O acordo final com a instituição pública rendeu 170% a mais ao banqueiro.

O contexto da participação na Steelcorp
O caso veio a público inicialmente quando se descobriu que aproximadamente 30% das cotas da Steelcorp — empreendimento ligado a Roberto Justus — pertenciam ao Banco Master e haviam sido repassadas ao BRB. Na época em que a transação ganhou notoriedade, Justus declarou publicamente que não sabia que o banqueiro era o verdadeiro investidor oculto por trás do fundo parceiro.
Contudo, as conversas e os registros recuperados pelas autoridades contam outra história. Os diálogos provam que Justus mantinha contato direto com Vorcaro para negociar a recompra da fatia societária, que envolvia uma quantia estimada em R$ 130 milhões. Em mensagens trocadas pelas partes, o próprio Justus cobrava o interlocutor sobre a estrutura do fundo e apontava Vorcaro como o cotista responsável.
Impasses, frustrações e cobranças de bastidores
As negociações entre o dono do Banco Master e Justus foram marcadas por momentos de forte tensão e cobranças por atenção. Em dado momento do processo, diante da falta de retornos rápidos, Justus manifestou sua insatisfação de forma explícita por aplicativo de mensagens:
“Nunca na minha vida fiquei tão decepcionado com alguém. O que me custa me receber por uma horinha para resolvermos aquele assunto”, escreveu o empresário.
Posteriormente, Justus tentou destravar o acordo ao flexibilizar a proposta com cronogramas de pagamento estendidos em até quatro anos. Vorcaro inicialmente demonstrou abertura, mas o pacto azedou após novas exigências feitas pelo apresentador, o que gerou irritação no banqueiro. O cerne do conflito girava em torno do montante aportado: Vorcaro havia investido R$ 130 milhões na empresa e argumentava que aceitar a saída a longo prazo sem garantias adequadas ou qualquer prêmio de rentabilidade não fazia sentido financeiro.
O próprio Vorcaro ponderou em suas mensagens sobre a falta de segurança na proposta:
“Para começar, eu não quero sair. Acredito no negócio e, mais do que isso, acredito em você. Estou topando sair sem qualquer prêmio e num prazo longuíssimo, para atender e ajudar, só por isso. Mas eu não ter ao menos o valor que aportei garantido ao longo do tempo não faz o menor sentido”.
A cartada final e o salto de 170% com o BRB
Diante do desgaste na tentativa de acordo com Justus, as negociações diretas foram desfeitas e os ativos acabaram direcionados para o Banco de Brasília (BRB). Paralelamente à discussão privada com o fundador da Steelcorp, Vorcaro articulou a venda por meio de uma cadeia de fundos geridos pela Reag — utilizando o fundo Dynamic de forma direta e o SH FIPM de maneira indireta. No entanto, nos registros oficiais encaminhados ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), apenas o fundo Dynamic constava na documentação.
Com a virada de rota corporativa, o negócio com o banco estatal se mostrou financeiramente estrondoso: Vorcaro assegurou o recebimento de R$ 350 milhões à vista, embolsando um valor 170% superior ao que debatia inicialmente para deixar o empreendimento de Justus.
Fonte: Metrópoles
*Imagem da capa editada por IA

















