Oposição planeja suspender recesso parlamentar para protocolar novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes
A liderança da oposição na Câmara dos Deputados anunciou nesta sexta-feira (26/12) a intenção de interromper o recesso parlamentar para apresentar um novo pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), novo líder da bancada oposicionista, convocou parlamentares para comparecerem a Brasília na segunda-feira (29/12), com coletiva de imprensa marcada para as 16h no Salão Verde da Câmara, antes do protocolo oficial.
Como pedidos de destituição de ministros do STF devem ser direcionados ao Senado Federal, a iniciativa visa reforçar a pressão sobre a Casa, que já recebeu representações semelhantes.
“Ressaltamos que estaremos suspendendo o recesso parlamentar pela segunda vez, porque não é possível permanecer inerte diante do tamanho absurdo institucional que o Brasil está vivendo. A gravidade do momento exige responsabilidade, coragem e ação”, afirma o comunicado oficial da liderança da oposição.
A mobilização ocorre dias após senadores oposicionistas protocolarem, na terça-feira (23/12), um pedido similar contra Moraes. A denúncia baseia-se em reportagem que revelou contatos entre o ministro e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, supostamente envolvendo o Banco Master.
Os parlamentares alegam que a situação exposta na imprensa configura “conflito de interesses, na medida em que o ministro Alexandre de Moraes, valendo-se do peso institucional e da influência inerentes ao cargo que ocupa, teria se engajado em atuação favorável a interesses privados específicos”.
Moraes já acumula dezenas de pedidos de impeachment no Senado, a maioria sem andamento, relacionados a decisões em investigações sobre atos antidemocráticos e regulação de redes sociais. Essa nova ofensiva reforça a estratégia da oposição bolsonarista de questionar a atuação do Judiciário em temas como o caso Banco Master e supostas interferências institucionais.
O Congresso está em recesso desde 19/12, com retorno previsto apenas para fevereiro de 2026.
Em julho de 2025, a bancada oposicionista já havia pressionado pela retomada de atividades durante o recesso branco, após medidas cautelares impostas pelo STF ao presidente Jair Bolsonaro (PL). Na ocasião, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vetou reuniões de comissões.
Essa movimentação intensifica o confronto entre poderes no fim de 2025, em um cenário de polarização política e debates sobre limites institucionais no Brasil.


















