Lula desesperado no Sudeste após queda brutal de popularidade e escândalos financeiros, corre atrás de palanques para tentar salvar reeleição
Enquanto o desgaste do governo Lula se aprofunda no Sudeste — principal reduto eleitoral do país —, o petista corre contra o tempo para tentar montar palanques minimamente competitivos em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A mais recente pesquisa Genial/Quaest mostra desaprovação de 56% contra apenas 40% de aprovação na região, com o saldo negativo dobrando em poucas semanas.
O colapso de imagem coincide com o acúmulo de escândalos financeiros e de corrupção que marcam o terceiro mandato petista, alimentando a percepção de que o governo prioriza alianças políticas de emergência em vez de resolver os problemas que derrubam sua popularidade.
Em São Paulo, Lula insiste em emplacar Fernando Haddad como candidato ao governo estadual, apesar do histórico de derrotas do ministro da Fazenda (2016, 2018 e 2022).
O próprio petista dedicou um almoço de três horas para tentar convencer o ex-prefeito, prometendo até projeção futura como sucessor em 2030 — uma aposta que muitos veem como irrealista diante do desgaste econômico e das sucessivas crises fiscais do atual governo.
Em Minas Gerais, a indefinição persiste. Após tentativa frustrada com Rodrigo Pacheco (PSD), o PT agora se aproxima de Alexandre Kalil (PDT). A prefeita de Contagem, Marília Campos, defendeu o nome, afirmando:
“Para mim, temos um candidato. Kalil é um excelente nome. É de centro, já apoiou Lula (em 2022), tem voto e proximidade com nossas pautas. É uma aliança que foge da polarização.”
Kalil, por sua vez, foi cauteloso:
“Eu só não converso nem me aproximo do PL de Bolsonaro e de quem está hoje no governo do estado. Quero construir uma frente de centro. Não conheço uma pessoa que, não sendo inimiga do presidente da República, vai negar uma conversa com ele se for convidada. Isso não significa que, na conversa, vou dizer sim para uma parceria. Pode sair um belo sim ou um belo não.”
No Rio de Janeiro, a situação é ainda mais delicada. A possível aliança com Eduardo Paes (PSD) avança, mas há temores de que o prefeito se distancie da campanha nacional devido à rejeição de Lula. O líder petista Lindbergh Farias declarou:
“Queremos construir um palanque forte para Lula no Rio. A chapa Paes governador e Benedita senadora nos dá força, cria uma identidade grande com o voto lulista. Mas defendo também a candidatura de Ceciliano na eleição de governador interino; isso é central para o nosso projeto. Impede que o PL esteja no governo provisório durante as eleições. Não faz sentido Paes apoiar um nome do PL.”
A movimentação frenética ocorre enquanto o governo é alvo constante de denúncias e investigações financeiras: fraudes bilionárias no INSS, supostas ligações familiares com esquemas de lobismo, rombos em estatais e uso de verbas públicas para propaganda massiva (como os R$ 8,4 milhões gastos em 30 dias em anúncios após a isenção parcial do IR).
Esses escândalos financeiros alimentam diretamente a rejeição no Sudeste, região mais afetada pela inflação, desemprego e aumento do custo de vida.
Em vez de apresentar resultados concretos que revertam o desgaste — como correção plena da tabela do IR, controle efetivo da inflação ou transparência nos gastos —, Lula aposta em costuras políticas de última hora, tentando colar nomes em uma candidatura presidencial cada vez mais desgastada.
O Sudeste, que concentra quase metade do eleitorado nacional, pode se tornar o calcanhar de Aquiles definitivo do projeto de reeleição petista.
O tempo é curto e o desgaste é real: o Sudeste não parece disposto a esquecer os rombos e as promessas não cumpridas.


















