Vorcaro nega influência política no caso Banco Master e usa tornozeleira como argumento: “Não estaria aqui de tornozeleira”
O banqueiro Daniel Vorcaro, fundador e dono do Banco Master, rebateu acusações de ter recebido facilitação política para viabilizar operações da instituição junto ao Banco de Brasília (BRB).
Em depoimento à Polícia Federal (PF) durante acareação realizada em dezembro de 2025 no Supremo Tribunal Federal (STF), Vorcaro afirmou que sua situação atual – incluindo o uso de tornozeleira eletrônica – contradiz a ideia de que possuía amplas conexões políticas influentes.
Preso preventivamente em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos, ao tentar embarcar para Dubai, Vorcaro foi solto em 29 de novembro do mesmo ano e passou a cumprir monitoramento eletrônico.
Ele foi questionado pela delegada Janaina Palazzo sobre supostas relações com figuras políticas, incluindo o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que exerce controle indireto sobre o BRB.
Vorcaro admitiu ter se encontrado com o governador em algumas ocasiões, justificando que o diálogo ocorreu em razão do papel de Ibaneis como controlador do banco público. No entanto, ele enfatizou que as tratativas foram estritamente técnicas, sem qualquer favorecimento indevido.
Em resposta às indagações sobre possível influência política para aprovar a operação de venda ou parceria com o BRB – que acabou negada –, Vorcaro declarou: “Eu queria dizer só dizer o seguinte, se eu tenho tantas relações políticas como estão dizendo, e se eu tivesse pedido a ajuda desses políticos, eu não estaria com a operação do BRB negada, e não estaria aqui de tornozeleira, e não estaria aqui sendo preso, não estaria com a minha família sofrendo o que a gente está sofrendo.”
Ele reforçou: “Não teve facilitação política. Eu estive com o governador, sim, algumas vezes porque ele era controlador direto [do BRB], mas não teve nenhum tipo de questão tratada que não fosse técnica.”
O depoimento faz parte das investigações sobre supostas fraudes no Banco Master, que incluem a negociação de carteiras de crédito questionadas, prejuízos estimados em bilhões ao BRB e a liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro de 2025.
O caso ganhou nova visibilidade após o ministro Dias Toffoli autorizar a retirada do sigilo de partes dos depoimentos, permitindo a divulgação de trechos como esse.
Vorcaro argumentou que, se contasse com o apoio político alegado por investigações ou mídia, não enfrentaria as restrições impostas pela Justiça, como a prisão temporária e o monitoramento eletrônico.
O inquérito continua em andamento na PF e no STF, com foco em possíveis irregularidades em operações financeiras envolvendo o Banco Master e instituições públicas.


















