Empresa ligada a irmãos de Dias Toffoli tem capital social de apenas R$ 150 e endereço registrado em residência simples de fachada
A Maridt Participações, empresa na qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli admitiu ser sócio junto aos irmãos, apresenta capital social declarado de apenas R$ 150 e funciona formalmente em uma residência de padrão simples no bairro Jardim Universitário, em Marília (SP), interior de São Paulo. O imóvel, que serve como domicílio de um dos irmãos do ministro, o engenheiro José Eugênio Dias Toffoli, exibe sinais visíveis de desgaste, como paredes rachadas e estrutura em mau estado de conservação.

A reportagem do Metrópoles, publicada na coluna de Andreza Matais, visitou o local registrado na Junta Comercial e na Receita Federal como sede da Maridt.
Apesar do baixo capital social, a companhia integrou o quadro societário do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), mantendo participação até março de 2025. Na venda da fatia, avaliada em cerca de R$ 3,5 milhões, o negócio envolveu fundo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master – caso atualmente sob relatoria de Toffoli no STF.
Formalmente, os administradores da Maridt são os irmãos do ministro, e o endereço coincide com a moradia de José Eugênio. A empresa foi usada para entrada no negócio do resort, mas o baixo capital declarado contrasta com os valores movimentados nas transações imobiliárias e empresariais.
O episódio ganha relevância no contexto das investigações sobre o Banco Master, liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 por suspeitas de fraudes financeiras bilionárias. A proximidade revelada entre a família Toffoli e negócios que cruzam com a teia de Vorcaro intensifica questionamentos sobre possível conflito de interesses na condução do inquérito no STF.
Dias Toffoli confirmou em nota anterior sua participação societária na Maridt, afirmando que se trata de empresa familiar e que as operações são declaradas e lícitas.
A defesa do ministro nega irregularidades e qualquer recebimento direto de Vorcaro. O caso continua a gerar debates sobre transparência, foro privilegiado e imparcialidade judicial em meio ao escândalo Master.


















