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Equipe de Vorcaro propôs adiar Fórum com Moraes após anúncio da Lei Magnitsky

Diálogos revelam que a advogada Viviane Barci ajustava a programação com o setor de marketing do Banco Master antes de mudança de planos motivada pelo receio de efeitos extraterritoriais.

A imposição de sanções baseadas na Lei Magnitsky pelos Estados Unidos contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, provocou forte apreensão na cúpula do Banco Master. O sobressalto levou o setor de marketing da instituição bancária — controlada pelo empresário Daniel Vorcaro — a sugerir o adiamento de um fórum internacional que contaria com a participação do magistrado e ocorreria em Londres. 

De acordo com informações apuradas e divulgadas pela imprensa, mensagens e registros obtidos em investigações demonstram que a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, participava diretamente dos alinhamentos finais da grade do evento ao lado da equipe de eventos de Vorcaro. Contudo, o receio de que as medidas punitivas impostas pelo governo americano pudessem atingir também a estrutura do banco e os organizadores do fórum resultou no posterior cancelamento da conferência. 

Alinhamento e Construção da Pauta

Os diálogos em poder das autoridades revelam que a funcionária responsável pelo setor de marketing, identificada nos registros como Ana Matos, manteve interlocução constante com Viviane Barci de Moraes para desenhar os painéis do simpósio internacional. As mensagens apontam que a advogada, em conjunto com o próprio ministro, revisava nomes e reestruturava a programação.

Em um dos trechos destacados pela apuração, a executiva de marketing relatou a Vorcaro que havia passado o dia em tratativas diretas com a advogada e com Alexandre de Moraes para fechar os detalhes do cronograma oficial. Na ocasião, foi ajustado que o próprio banqueiro figuraria nas sessões de abertura e de encerramento dos trabalhos acadêmicos e jurídicos em solo britânico.

Tensão com a Lei Magnitsky e Mudança de Estratégia

O cenário de planejamento sofreu uma reviravolta no momento em que veio a público o anúncio das sanções americanas vinculadas à Lei Magnitsky contra o ministro do STF. O desdobramento geopolítico gerou alerta imediato na equipe de marketing do Banco Master.

Diante da instabilidade, a funcionária de marketing alertou sobre o risco de desdobramentos operacionais e de desgaste institucional. Houve expressa preocupação de que a exposição pudesse trazer prejuízos à imagem do Banco Master, além de impactar negativamente negociações em andamento no mercado financeiro, como tratativas envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB).

“Passei o dia aqui com Vivi Moraes e o ministro fechando o programa do evento. Eles alteraram bastante coisa, mas está ficando bom […]. Meu receio é atrapalhar BRB”, sinalizou a assessora nas mensagens dirigidas a Daniel Vorcaro. 

Posteriormente, diante da escalada do impasse provocado pelo anúncio de sanções e pelo risco de desistência em cadeia de outros convidados, sugeriu-se adiar e reavaliar a estratégia de divulgação. Nas conversas, ficou registrado que Viviane iria consultar o ministro Alexandre de Moraes para definir os rumos da agenda.

Desfecho e Cancelamento em Londres

A troca de contatos telefônicos culminou na confirmação do cancelamento definitivo da edição do simpósio em Londres no início de agosto, momento em que o empresário orientou sua equipe a notificar os envolvidos. O temor predominante entre os organizadores era de que a extensão das sanções financeiras e diplomáticas dos EUA pudesse gerar efeitos colaterais severos e atingir direta ou indiretamente os patrocinadores e organizadores da iniciativa.

Procurados para prestar esclarecimentos sobre o teor das mensagens trazidas a público pelo Estadão, nem o ministro Alexandre de Moraes nem a advogada Viviane Barci de Moraes emitiram manifestação formal. 

Fonte: Estadão

*imagem da capa editada por IA

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