Enquanto entidades patronais apontam custos elevados e riscos operacionais equivalentes a uma “bomba atômica”, sindicatos de trabalhadores reforçam a urgência da mudança diante do esgotamento físico e mental nas jornadas sob alta pressão
A discussão em torno do fim da escala de trabalho 6×1 tem provocado intensos debates e divergências profundas entre os diferentes setores da economia nacional. No segmento de telecomunicações, call centers, instalação e manutenção de redes, a perspectiva de alteração nas jornadas acendeu um sinal vermelho generalizado entre os empregadores, enquanto entidades laborais destacam a urgência de aliviar a rotina sufocante enfrentada pelos profissionais da área.

A avaliação pessimista do setor patronal foi sintetizada por Vivien Mello Suruagy, presidente da Feninfra (Federação Nacional de Call Center, Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática). De acordo com a dirigente, a transição para o novo modelo de jornada de trabalho pode funcionar como uma verdadeira “bomba atômica” para a sustentabilidade operacional das empresas.
O argumento patronal: custos operacionais e produtividade em xeque
As empresas que compõem o ecossistema de telecomunicações e infraestrutura argumentam que a alteração regulatória impõe um peso financeiro desproporcional, gerando elevação drástica nos custos sem a garantia de ganhos correspondentes na produtividade.
Para fundamentar as preocupações do empresariado, a liderança da Feninfra recorre a projeções macroeconômicas, como as análises conduzidas em estudos da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que mensuraram o impacto financeiro e estrutural da medida sobre o mercado interno. O setor aponta que os reflexos negativos tendem a ser potencializados pelo desempenho histórico do Brasil no quesito produtividade da mão de obra, fator que dificultaria a absorção imediata de novas restrições de horários e escalas.
A perspectiva dos trabalhadores: exaustão e o peso da rotina sob pressão
Em contrapartida à resistência manifestada pelas entidades patronais, os sindicatos que representam os empregados sustentam que a mudança nas regras de descanso é não apenas necessária, mas urgente. As centrais e representantes dos trabalhadores destacam que o modelo vigente expõe milhares de profissionais — especialmente em centrais de atendimento e equipes de campo — a um esgotamento mental e físico severo.
Os dados levantados pelas entidades laborais apontam que a rotina atual, que frequentemente orbita jornadas semanais intensas e cobranças contínuas por metas, cobra um preço alto da saúde dos operadores e técnicos. Para os sindicatos, a flexibilização e o fim da rigidez da escala tradicional representam um passo fundamental para resgatar a dignidade e a qualidade de vida dos trabalhadores, contrapondo-se aos argumentos puramente fiscais apresentados pelas companhias do setor.
Fonte: Folha de São Paulo
*Imagem da capa editada por IA

















