Investigação aponta prejuízo bilionário em mensalidades associativas sem autorização; valor total de descontos em 2023 chega a R$ 90 bilhões
Um esquema criminoso de descontos irregulares em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) causou prejuízo significativo a milhares de brasileiros, principalmente aposentados e pensionistas de baixa renda e em situação de vulnerabilidade social. Esses beneficiários foram explorados por entidades que realizavam cobranças indevidas de mensalidades associativas diretamente na folha de pagamento.
O montante de R$ 90 bilhões refere-se ao volume total de descontos em benefícios previdenciários no ano de 2023 (incluindo empréstimos consignados legais e contribuições associativas), conforme auditorias do TCU e dados oficiais. No entanto, as investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) focam nas fraudes propriamente ditas: descontos sem autorização, com assinaturas falsas e cadastros irregulares.
A Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025, estima que o prejuízo com mensalidades indevidas chegue a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, afetando potencialmente até 6 milhões de beneficiários. O volume de cobranças explodiu nos últimos anos, saltando de R$ 617 milhões em 2019 para R$ 2,8 bilhões em 2024.
Entidades associativas firmavam Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o INSS, permitindo descontos automáticos de até R$ 81,57 mensais. Relatos apontam que mais de 97% dos entrevistados pela CGU não autorizaram as cobranças. O esquema envolveu propinas, laranjas, empresas de fachada e possível apadrinhamento político.
O INSS suspendeu os acordos com entidades suspeitas e já devolveu bilhões em valores indevidos a milhões de beneficiários, com prazos para adesão ao ressarcimento ainda em curso. A PF instaurou múltiplos inquéritos, e a CPMI do INSS continua apurando responsabilidades.


















