Grupo controlado pelas Forças Armadas é acusado por Washington de controlar grande parte da economia da ilha e saquear bilhões; Cuba nega e culpa o embargo americano
O conglomerado militar cubano GAESA voltou ao centro das discussões entre Estados Unidos e Cuba após duras acusações feitas pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. O grupo é apontado por Washington como um dos principais responsáveis pela grave crise econômica que assola a ilha caribenha.

“Cuba é controlada pela GAESA”, disse Rubio em mensagem de vídeo em espanhol dirigida ao povo cubano na quarta-feira (20). “Um ‘estado dentro do estado’ que não presta contas a ninguém e acumula os lucros de seus negócios em benefício de uma pequena elite”, afirmou o secretário.
A GAESA (Grupo de Administração Empresarial) é um vasto conglomerado gerido pelas Forças Armadas Revolucionárias de Cuba. Criado na década de 1990 por Raúl Castro, o grupo controla importantes setores da economia, incluindo hotéis de luxo, o porto de Mariel, um grande banco comercial, supermercados, postos de gasolina e empresas de remessas.
Acusações americanas
O governo de Donald Trump acusa a GAESA de enriquecer os militares e a elite cubana à custa da população. Marco Rubio reforçou o discurso:
“A verdadeira razão pela qual vocês não têm eletricidade, combustível ou comida é porque aqueles que controlam o país saquearam bilhões de dólares, mas nada foi usado para ajudar o povo.”
Os Estados Unidos já impuseram várias rodadas de sanções contra empresas ligadas ao grupo, restringindo especialmente o turismo americano em hotéis controlados pela GAESA.
Resposta de Cuba
O governo cubano rejeita as acusações e atribui a crise principalmente ao embargo econômico imposto pelos EUA. Autoridades da ilha afirmam que o sigilo em torno da GAESA é necessário para proteger negócios estratégicos diante das sanções americanas.
Em 2024, a então controladora-geral de Cuba, Gladys Bejerano, declarou que a GAESA “possui disciplina e organização superiores” e não está sob sua jurisdição.
Estimativas externas indicam que o grupo pode controlar entre 40% e 70% da economia cubana. Marco Rubio chegou a afirmar que a GAESA tem receitas três vezes maiores que o orçamento nacional e possui US$ 18 bilhões em ativos. A embaixada cubana no Reino Unido contestou o número, classificando-o como inflado.
Visibilidade do grupo
Um dos símbolos mais evidentes do poder da GAESA é a Torre K, um edifício de 42 andares em Havana que abriga o hotel Iberostar Selection La Habana, o mais alto da ilha. Inaugurado em 2025, o empreendimento permanece praticamente vazio em meio à queda do turismo.


















