Câmara dos Deputados em impasse com decisão do STF sobre mandato de Zambelli
A Câmara dos Deputados enfrenta um impasse após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a perda imediata do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e fixar prazo de 48 horas para a posse de seu suplente.

Zambelli foi condenada em dois processos distintos: um pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em ação que envolveu o hacker Walter Delgatti Neto, com pena de anos de prisão; e outro por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal ao perseguir um homem armado nas vésperas do segundo turno das eleições de 2022, na região dos Jardins, em São Paulo.
Apesar das condenações transitadas em julgado, o plenário da Câmara rejeitou a cassação do mandato da parlamentar, gerando um impasse institucional. Essa situação coloca o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em uma posição delicada.
Motta adotou uma estratégia que não saiu como planejado. O presidente pautou simultaneamente as votações de cassação de Zambelli e do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), apostando que ambos os mandatos seriam perdidos.
O STF, mantém o entendimento, fundamentado na Constituição e na Lei da Ficha Limpa, de que Zambelli não pode permanecer no cargo.
Hugo Motta agora enfrenta pressão intensa do Centrão, que argumenta contra interferência do Supremo nas decisões do Legislativo.
O episódio agrava a percepção de fraqueza na liderança de Motta, já visto como um “presidente fraco” por pares. O cumprimento da determinação do STF pode impactar negativamente sua permanência no comando da Casa.
Até o momento, nem a Câmara nem o STF confirmaram o horário exato da notificação oficial a Motta.
Com o prazo de 48 horas, o presidente busca ganhar tempo para definir sua conduta diante do conflito institucional.


















