Presidente Chinês enfatiza processo histórico inevitável em discurso de ano novo; Taiwan Rejeita Ameaças e Defende Democracia
O presidente da China, Xi Jinping, afirmou que a reunificação da China com Taiwan é um processo histórico “imparável”, em discurso televisionado de Ano Novo transmitido nesta terça-feira (31/12).
A declaração veio dias após o encerramento de amplos exercícios militares ao redor da ilha, que incluíram simulações de bloqueio naval e aéreo.
“Os compatriotas de ambos os lados do Estreito de Taiwan são chineses. A reunificação da pátria é uma tendência histórica imparável”, declarou Xi.
O líder chinês reforçou que Pequim busca a reunificação por meios pacíficos, mas não descartou o uso da força para impedir movimentos independentistas.
“A China será certamente reunificada. Todos os filhos e filhas do povo chinês devem trabalhar juntos para avançar nessa grande causa”, completou Xi Jinping.
Contexto de tensões crescentes no estreito de Taiwan
Os exercícios militares, realizados entre 27 e 30 de dezembro, envolveram dezenas de aeronaves, navios de guerra e forças de foguetes, simulando cenários de cerco à ilha. Taiwan mobilizou suas defesas em resposta, classificando as manobras como “provocação irracional”.
O governo taiwanês, liderado pelo presidente Lai Ching-te, do Partido Democrático Progressista (PDP), rejeitou as declarações de Xi e reafirmou sua posição soberana.
“Rejeitamos categoricamente a narrativa de ‘um país, dois sistemas’ e defendemos a democracia e a liberdade do povo de Taiwan”, respondeu o Conselho de Assuntos Continentais de Taiwan.
Analistas interpretam o discurso como uma mensagem dupla: sinalização de determinação à audiência doméstica chinesa e pressão contínua sobre Taipei, especialmente após a posse de Lai, considerado por Pequim como “separatista perigoso”.
Repercussão Internacional
Os Estados Unidos, principal aliado militar de Taiwan, monitoraram de perto as manobras e criticaram a “coerção militar” chinesa. O Departamento de Estado americano reiterou compromisso com a paz e estabilidade no Estreito de Taiwan, conforme a Lei de Relações com Taiwan e os Três Comunicados Conjuntos.
A União Europeia e o Japão também expressaram preocupação com a escalada, pedindo moderação às partes.
Essa nova afirmação de Xi Jinping reforça a posição de Pequim sobre a questão taiwanesa como linha vermelha inegociável, em um momento de transição global de poder e crescente competição sino-americana.
A reunificação China-Taiwan permanece um dos pontos mais sensíveis da geopolítica mundial, com riscos de conflito que preocupam a comunidade internacional.


















