Irã envia carta à ONU e ameaça: bases e ativos dos EUA na região seriam “alvos legítimos” em caso de ataque
O Irã enviou uma carta oficial ao Secretário-Geral da ONU, António Guterres, e ao presidente do Conselho de Segurança alertando que responderá “decisivamente e proporcionalmente” a qualquer agressão militar dos Estados Unidos. A missiva, entregue pelo embaixador iraniano Amir Saeid Iravani, classifica as ameaças recentes do presidente Donald Trump como “um sinal real de risco de agressão militar”.


Na carta, Teerã reitera que não busca tensão nem iniciará guerra, mas exerce seu direito inerente de legítima defesa previsto no Artigo 51 da Carta da ONU. O texto enfatiza que, em caso de ataque, “todas as bases, instalações e ativos da força hostil na região constituiriam alvos legítimos no contexto da resposta defensiva do Irã”.
O Irã atribui aos Estados Unidos a “responsabilidade total e direta por quaisquer consequências imprevisíveis e incontroláveis” decorrentes de uma eventual agressão e da resposta iraniana. A advertência surge em meio a escalada de retórica bilateral, com Trump renovando ameaças de ação militar contra o programa nuclear iraniano e impondo ultimatos curtos para negociações.
O embaixador Iravani criticou declarações “beligerantes” americanas, argumentando que elas representam “uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais” e poderiam ter “consequências catastróficas para a região”. A carta pede ao Conselho de Segurança e ao Secretário-Geral que atuem “sem demora” para que os EUA cessem imediatamente as “ameaças ilegais de uso da força”.
A medida reforça a postura defensiva de Teerã em um contexto de tensões crescentes no Oriente Médio, incluindo exercícios navais conjuntos com a Rússia e preocupações com a presença militar americana na região (como bases no Golfo Pérsico, Iraque e Síria). Analistas apontam que a declaração visa dissuadir ataques preventivos e sinalizar que qualquer ação dos EUA poderia desencadear retaliações amplas contra instalações americanas.
Até o momento, a Casa Branca não comentou diretamente a carta, mas o aumento de ameaças mútuas elevou preços do petróleo e alertas de escalada regional. A ONU ainda não divulgou resposta oficial ao documento.


















