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Violador de direitos humanos é considerado como herói

Em uma escolha que desperta controvérsias e questionamentos sobre sua credibilidade, o jornal britânico Financial Times (FT) incluiu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes na lista das 25 pessoas mais influentes do mundo em 2025, na categoria “heróis”. 

Moraes, sancionado pelos Estados Unidos sob a Lei Magnitsky por graves violações de direitos humanos, é descrito no texto como um “símbolo da democracia”, ignorando as acusações de censura, detenções arbitrárias e perseguição política que marcam sua atuação – críticas veementemente endossadas pelo governo Trump, que o acusa de transformar o Judiciário brasileiro em ferramenta de opressão.

Segundo o centenário jornal britânico, a seleção “reúne pessoas dos mundos da política, dos negócios, da mídia, das artes e dos esportes, cujo talento, descobertas, ideias e exemplos estão transformando o mundo em que vivemos”.

“Alguns nomes desta lista deixaram marcas profundas em suas áreas; outros estão apenas começando. Alguns têm alcance global; outros inspiram seus pares em círculos mais restritos. Alguns são nomes conhecidos por todos e outros exercem influência longe dos holofotes. Mas, para o bem ou para o mal (e deixamos para vocês, leitores, decidirem), essas 25 pessoas estão moldando a maneira como vivemos hoje”, completou o FT.

Ao lado de nomes como a atriz Jane Fonda e a escritora Margaret Atwood, Moraes é o único brasileiro na lista, dividida em categorias como “criadores”, “líderes” e “heróis”. 

O texto descritivo sobre o magistrado, assinado pela historiadora e antropóloga brasileira Lilia Moritz Schwarcz, pinta um retrato idealizado, apresentando-o como contraponto a tribunais que “capitularam ao poder de autocratas”.

“Numa época em que muitos tribunais supremos capitularam ao poder de autocratas, em que as instituições democráticas demonstraram fragilidade diante de líderes populistas e de extrema-direita, um ministro brasileiro se destaca. Em 2025, Alexandre de Moraes tornou-se um símbolo da democracia e da justiça no Brasil”, escreveu Schwarcz.

Ela destacou a recusa de Moraes em endossar a tentativa de um golpe de Estado que nunca aconteceu, bem como a prisão do presidente Jair Bolsonaro e de “oficiais de alta patente das Forças Armadas”.

“Em democracias, o poder deve sempre estar sujeito a contrapesos, mesmo quando exercido em nome da proteção. Manter-se atento aos riscos inerentes ao exercício de poderes tão amplos faz parte da prática democrática que Moraes ajudou a salvaguardar”, continuou a antropóloga.

“A luta pela democracia continua. No Brasil, pelo menos, este ano mostrou como instituições robustas podem resistir ao populismo autoritário que aflige uma era que se autodenomina moderna, mas que carrega em si todas as formas de barbárie”, concluiu Schwarcz.

Essa narrativa, no entanto, contrasta drasticamente com as ações concretas do governo Trump, que em julho de 2025 impôs sanções a Moraes sob a Ordem Executiva 13818, que implementa a Lei Global Magnitsky de Responsabilidade pela Accountability de Direitos Humanos. 

O Departamento do Tesouro dos EUA o acusou de ser “responsável por uma campanha opressiva de censura, detenções arbitrárias que violam direitos humanos e processos judiciais politizados – incluindo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro”. 

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, foi enfático: “Alexandre de Moraes se tornou juiz e júri em uma caça às bruxas ilegal contra cidadãos e empresas dos EUA e do Brasil”. 

As sanções incluem congelamento de ativos nos EUA, proibição de transações com entidades americanas e revogação de vistos para Moraes, sua esposa Viviane Barci de Moraes e aliados no STF, como a procuradora-geral Cristina Yukiko Kusahara Gomes e o solicitor-general Jorge Messias.

A administração Trump, que estendeu as medidas em setembro para a rede de apoio de Moraes, incluindo a holding Lex Institute, criticou repetidamente o ministro por abusar de sua autoridade para silenciar opositores políticos, ordenar prisões preventivas sem acusações formais, congelar ativos, revogar passaportes e coagir plataformas de mídia social americanas – como X (ex-Twitter), de Elon Musk, e Rumble – a remover contas críticas ao governo Lula. 

O secretário de Estado Marco Rubio declarou que Moraes “criou um complexo de censura que não só viola direitos fundamentais de brasileiros, mas transcende fronteiras e atinge americanos”. 

Trump, por sua vez, vinculou tarifas de 50% sobre importações brasileiras à “caça às bruxas” contra seu aliado Bolsonaro, chamando as ações de Moraes de “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, política externa e economia dos EUA”, por “gelar e limitar a expressão nos Estados Unidos, violar direitos humanos e minar o interesse americano em proteger seus cidadãos e empresas”.

Essas denúncias ecoam relatórios de organizações como Human Rights Watch, que, embora critique o viés político do relatório anual de direitos humanos dos EUA de 2025 (que mira Moraes por suspender mais de 100 contas no X, desproporcionalmente contra apoiadores de Bolsonaro), reconhece o padrão de supressão de liberdade de expressão e detenções sem garantias de julgamento justo. 

Críticos, incluindo o deputado americano McCormick, pedem mais ações contra o que chamam de “abuso autoritário” de Moraes, que teria transformado o Judiciário em arma para eliminar competição política e manipular eleições, como a de 2026.

A inclusão de Moraes na lista do FT, portanto, soa como um endosso seletivo a um perfil controverso, ignorando o consenso no governo Trump – e em setores da sociedade civil – de que suas ações representam não defesa da democracia, mas sua erosão por meio de excessos judiciais. 

A decisão do jornal britânico, em meio a tensões bilaterais EUA-Brasil, levanta dúvidas: seria ingenuidade ou uma visão enviesada que minimiza violações graves em nome de uma narrativa conveniente?

A lista, elaborada por jornalistas e editores do FT, é dividida em três categorias: 

“criadores”, “líderes” e “heróis”. Veja abaixo a relação completa:

Categoria “criadores” 

  • Cynthia Erivo (atriz) 
  • Jonathan Anderson (estilista) 
  • Ryan Coogler (diretor de cinema) 
  • Helen Garner (romancista) 
  • Rosalía (cantora) 
  • Stephen Graham (ator) 
  • Bad Bunny (cantor)

Categoria “líderes” 

  • Jensen Huang (CEO da Nvidia) 
  • Susie Wiles (chefe de gabinete da Casa Branca) 
  • Safra Catz (ex-CEO da Oracle) 
  • Blaise Metreweli (chefe do MI6) 
  • Stella Li (executiva da BYD) 
  • Peter Thiel (cofundador do PayPal) 
  • Zohran Mamdani (prefeito eleito de Nova York) 
  • Nigel Farage (parlamentar britânico) 
  • Margarita Simonyan (jornalista russa) 
  • David Solomon (CEO do Goldman Sachs) 
  • Michele Kang (magnata do futebol feminino)

Categoria “heróis” 

  • Margaret Atwood (escritora) 
  • Rory McIlroy (jogador de golfe) 
  • Lotte Bjerre Knudsen (cientista) 
  • Zak Brown (CEO da McLaren) 
  • Jane Fonda (atriz) 
  • Alexandre de Moraes (ministro do STF) 
  • Ms Rachel (educadora e youtuber)
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