Brasil opta por prudência diplomática na crise Venezuela e defende soberania sem mencionar Trump ou Maduro
Diante da operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro, o governo brasileiro, sob a liderança do petista Lula da Silva, adota uma postura cautelosa, classificando a situação como um “território desconhecido”.
A estratégia prioriza a defesa firme da soberania nacional e do princípio da não-intervenção, evitando transformar o episódio em uma arena de confrontos pessoais ou políticos.
Dois dias após o ataque americano à Venezuela, ocorrido na madrugada de sábado (3 de janeiro de 2026), o Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) optam por não citar diretamente o presidente dos EUA, Donald Trump, nem o líder venezuelano capturado.
Essa abordagem busca preservar os princípios constitucionais da política externa brasileira, sem personalizar o debate.
Em postagem nas redes sociais no sábado, Lula declarou, sem nomear os envolvidos, que a ação representa uma ultrapassagem de “uma linha inaceitável” e abre “um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.
No domingo (4), uma nota conjunta assinada por Brasil, Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai repudiou a intervenção unilateral, destacando preocupações com “qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou de apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos” da Venezuela.
Fontes do governo avaliam que essa conduta não compromete as relações bilaterais recentemente normalizadas com Washington, após episódios como a revogação de sanções relacionadas à Lei Magnitsky.
Interlocutores do Planalto reforçam que Lula já havia sinalizado limites claros quanto à soberania, posição agora reafirmada de forma principista.
A diretriz interna é concentrar esforços na diplomacia discreta, com monitoramento da crise, coleta de informações e articulações bilaterais, evitando que o tema se torne palanque retórico.
Analistas veem na estratégia uma tentativa de blindar o Brasil de escaladas, enquanto reafirma pilares como integridade territorial e autodeterminação dos povos.
A crise segue em desenvolvimento, com repercussões regionais e debates internacionais sobre estabilidade na América Latina.


















