O petista Lula da Silva cobrou determinação dos dirigentes da União Europeia para finalizar o tratado comercial com o Mercosul, em discurso nesta sábado (20/12/2025) durante a 67ª Cúpula de Chefes de Estado do bloco sul-americano, realizada em Foz do Iguaçu, no Paraná. Lula lamentou a postergação da assinatura do acordo, que se arrasta há 26 anos, e destacou a oportunidade perdida de fortalecer o multilateralismo global.
“Tínhamos, em nossas mãos, a oportunidade de transmitir ao mundo mensagem importante em defesa do multilateralismo e de fortalecer nossa posição estratégica em um cenário global cada vez mais competitivo. Mas, infelizmente, a Europa ainda não se decidiu. Líderes europeus pediram mais tempo para discutir medidas adicionais de proteção agrícola”, declarou o presidente, referindo-se às pressões internas no bloco europeu, especialmente relacionadas ao setor agrícola.
Lula foi enfático ao afirmar que “Sem vontade política e coragem dos dirigentes não será possível concluir uma negociação que já se arrasta por 26 anos”. Ele revelou ter recebido carta dos presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, expressando expectativa de aprovação do pacto em janeiro de 2026.
Apesar da frustração, o petista enfatizou a resiliência do Mercosul, que prosseguirá ampliando parcerias comerciais com outros países enquanto aguarda a decisão europeia. O evento marcou o encerramento da presidência pro tempore brasileira, com transferência para o Paraguai.
No discurso, Lula também celebrou avanços democráticos no Brasil: “A democracia brasileira sobreviveu ao mais duro atentado sofrido desde o fim da ditadura. Os culpados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 foram investigados, julgados e condenados conforme o devido processo legal. Pela primeira vez na sua história, o Brasil acertou as contas com o passado”.
Além disso, o presidente propôs iniciativas regionais contra a violência de gênero: “A América Latina também ostenta o triste recorde de ser a região mais letal do mundo para as mulheres. Segundo a CEPAL, 11 mulheres latino-americanas são assassinadas diariamente. Enviei, ontem, para a ratificação do Congresso Nacional, acordo que permitirá que mulheres beneficiadas por medidas protetivas em um país do bloco tenham a mesma proteção nos demais países”.
A cúpula reforça a busca do Mercosul por diversificação comercial e integração social, em meio a desafios geopolíticos e econômicos globais.


















