Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, confirmou a interlocutores que voo em classe executiva e hospedagem foram custeados por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”
Lulinha, filho mais velho do petista Lula da Silva, admitiu reservadamente a pessoas próximas que teve despesas de viagem e hospedagem em Portugal pagas pelo lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, figura central na investigação de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

De acordo com reportagem exclusiva do jornal O Estado de S. Paulo publicada em 2 de março de 2026, a viagem ocorreu no final de 2024, especificamente com embarque em 8 de novembro de 2024, em voo de classe executiva partindo do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, com destino a Lisboa. O “Careca do INSS” — atualmente preso sob suspeita de participação em esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões — bancou tanto as passagens quanto a estadia em hotel.
Lulinha explicou aos interlocutores que o objetivo da ida a Portugal foi visitar uma fábrica de produção de cannabis para fins medicinais na região de Aveiro (conhecida como a “Veneza de Portugal”), além de avaliar um possível galpão para aquisição.
Antunes, dono da empresa World Cannabis (focada em maconha medicinal), pretendia expandir negócios nesse setor, inclusive com tentativas de venda de serviços ao Ministério da Saúde e regulação junto à Anvisa. No entanto, Lulinha afirmou que não fechou nenhum negócio, não firmou sociedade e não recebeu qualquer pagamento adicional do lobista. Ele negou qualquer vínculo com os esquemas de fraude no INSS, alegando ter tomado conhecimento das acusações contra Antunes apenas pela imprensa.
A revelação surge em meio a investigações da Polícia Federal (PF) na Operação Sem Desconto, que apura desvios milionários via descontos fraudulentos em benefícios previdenciários.
Documentos apreendidos mostram que Antunes assinou contrato para comprar um imóvel em Aveiro por 2,7 milhões de euros (com entrada de 100 mil euros paga em fevereiro de 2025), mas o negócio foi paralisado devido às apurações. A PF também analisa mensagens de WhatsApp e anotações que mencionam pagamentos mensais de R$ 300 mil a um “filho do rapaz” ou “filho do cara”, com suspeitas de que se refira a Lulinha — ponto que levou à quebra de sigilo bancário dele pela CPMI do INSS.
A defesa de Lulinha, representada pelo advogado Guilherme Suguimori, reforçou que o empresário não tem relação com o esquema do INSS, não foi sócio nem prestou serviços a Antunes, e que seus extratos bancários comprovam apenas recebimento de dividendos de suas empresas.
Após a publicação da reportagem, Suguimori afirmou que as informações não partiram de Lulinha ou de sua defesa, classificando a discussão pública como inoportuna e prometendo esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal (STF), foro competente para o caso.


















