França não Participará do “Conselho da Paz” para Gaza
O presidente francês Emmanuel Macron decidiu não aceitar o convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o Conselho da Paz (Board of Peace), o novo órgão criado para supervisionar a reconstrução, a governança e a transição política na Faixa de Gaza após o cessar-fogo firmado em outubro de 2025.
A informação foi confirmada por fontes próximas ao Palácio do Eliseu nesta segunda-feira (19/01/2026), segundo reportagem da Bloomberg repercutida por diversas agências internacionais.
Uma fonte do governo francês afirmou que Paris “não pretende responder favoravelmente” ao convite americano.
O principal entrave apontado é o fato de que a carta constitutiva do conselho “vai além do único quadro de Gaza”, gerando “graves questionamentos, especialmente quanto ao respeito pelos princípios e pela estrutura das Nações Unidas”, que “em hipótese alguma podem ser colocados em dúvida”.
A França, junto com outros países europeus, demonstra preocupação com a estrutura proposta para o Board of Peace, que será presidido diretamente por Trump e contará com a participação de figuras como o secretário de Estado Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o genro do presidente americano Jared Kushner e outros nomes de peso.
O órgão estabelece um mandato inicial de três anos, renovável, mas prevê permanência indefinida para países que aportarem mais de US$ 1 bilhão em recursos financeiros no primeiro ano – dispositivo que tem sido criticado por seu caráter mercantil e pela excessiva concentração de poder.
Contexto de atrito transatlântico
A recusa francesa ocorre em um momento de tensão crescente entre Paris e Washington, agravada por ameaças recentes de tarifas comerciais impostas por Trump contra aliados europeus, incluindo a França, em disputas como a Groenlândia e outras questões geopolíticas.
Macron tem defendido uma resposta unificada da União Europeia, com possibilidade de ativação do Instrumento Anticoerção para enfrentar pressões externas.
O Conselho da Paz integra a segunda fase do acordo de cessar-fogo em Gaza, com foco em desmilitarização, reconstrução de infraestrutura e estabelecimento de uma governança estável e confiável.
Apesar disso, a iniciativa enfrenta resistências: Israel considera que o formato prejudica seus interesses, enquanto vários países europeus questionam a tentativa de criar uma estrutura paralela à ONU, enfraquecendo o multilateralismo tradicional.
A posição francesa reforça o compromisso de Paris com as instituições internacionais consolidadas e com a Carta da ONU, sinalizando que o país não participará de mecanismos que possam comprometer a ordem global estabelecida.
Outros países convidados – entre eles Rússia, Tailândia e diversos membros da União Europeia – ainda analisam a proposta, com respostas que variam entre cautela e recusa.


















