Novas evidências obtidas em conversas de aplicativo entre 2023 e 2024 colocam em xeque o depoimento prestado à Polícia Federal e detalham como o filho do petista Lula era apresentado a terceiros
Investigações em andamento trouxeram à tona novos elementos que movimentam os bastidores políticos do país. Registros de conversas obtidos por meio de aplicativo de mensagens revelam que a lobista Roberta Luchsinger referiu-se a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido popularmente como Lulinha — e filho mais velho do petista Lula—, como seu “sócio” em pelo menos oito ocasiões distintas. O material diverge diretamente da linha adotada pela defesa e pelas declarações prestadas pela própria investigada às autoridades policiais.



O Contraste com o Depoimento à Polícia Federal
Em maio, durante depoimento formal prestado à Polícia Federal (PF), Roberta Luchsinger buscou minimizar os vínculos mantidos com Lulinha. Na ocasião, a lobista reduziu a relação a uma simples “amizade”, além de negar veementemente a ocorrência de quaisquer repasses financeiros direcionados a ele.
No entanto, a análise das trocas de mensagens e áudios recuperados — datados entre junho de 2023 e junho de 2024 — demonstra um cenário bem diferente no trato cotidiano da empresária com contatos particulares, profissionais e prestadores de serviços de alto luxo.
O Conteúdo das Mensagens Dividido por Datas
Os registros detalham conversas em diferentes momentos e com distintos interlocutores, nos quais o termo “sócio” é empregado abertamente para qualificar Fábio Luís:
- 25 de junho de 2024: Em diálogo com uma gerente do tradicional hotel de luxo Le Bristol, localizado em Paris, na França, Roberta mencionou: “Que pena! Estava com meu sócio e a família. Filho do presidente Lula. Fizemos mta compra e adoraria ter lhe encontrado”.
- 13 de maio de 2024: Em mensagem enviada a um contato identificado como Alexandre Rodrigues, a lobista comentou que costumava passar os dias entre terça e quinta-feira em Brasília, acompanhada “com o meu sócio q é filho do pr” (sigla comumente empregada para se referir ao presidente da República).
- 3 de março de 2024: Ao conversar com Ana Carolina Alencar, Roberta encaminhou diretamente um texto enviado por Lulinha e instruiu: “Mostra (a) Marcelo a mensagem do meu sócio, Fábio”.
- 22 de fevereiro de 2024: Em formato de áudio enviado a Ana Carolina Melchert, ao detalhar sua agenda de compromissos, declarou: “E o Fábio, meu sócio, já viajou para Barcelona. E aí eu tenho que correr com as coisas, né?”.
- 28 de janeiro de 2024: Em troca de mensagens com uma amiga, afirmou sobre uma viagem internacional: “Querida, estou indo dia 5 de fevereiro para Genebra com as filhas. Conosco irão Fábio (meu sócio) filho do presidente Lula com a esposa e filhos”.
- 10 de janeiro de 2024: Em outro registro de áudio, fez menção direta a uma sociedade comercial: “Lembra do Fernando, meu sócio na empresa que eu tenho com ele, com o Fábio, filho do presidente?”.
- Outubro de 2023: Em diálogo mantido com um advogado estabelecido em São Paulo, Roberta foi direta ao afirmar: “O Fábio é meu sócio. Eu, ele e o Fernando Bittar”.
- 25 de junho de 2023: A referência mais antiga destacada nos relatórios ocorreu quando a lobista conversava com uma vendedora de roupas, ocasião em que identificou Fábio Luís como seu sócio e ressaltou que ele era herdeiro do chefe do Executivo federal.
Contexto das Investigações e Reações
As apurações que envolvem o nome de Roberta Luchsinger desdobram-se em frentes sensíveis, incluindo suspeitas de tráfico de influência e questionamentos sobre negócios e movimentações sob escrutínio das autoridades competentes — a exemplo de apurações ligadas a estruturas como a Dataprev.
Questionado anteriormente sobre menções e figuras associadas a essas controvérsias, o petista Lula da Silva negou qualquer proximidade com a lobista. Na ocasião, o mandatário declarou publicamente não conhecer a mulher, afirmando nunca tê-la visto ou mantido conversas, além de ter utilizado termos severos para qualificar a atuação dela ao comentar o uso de seu nome em conversas telefônicas e digitais de terceiros.
As investigações seguem em curso no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) e demais órgãos de controle, devendo analisar a veracidade das conexões comerciais sugeridas nos diálogos frente aos depoimentos oficiais prestados à justiça
Fonte: Metrópoles
*Imagem da capa gerada por IA


















