Dezenas de milhares de iranianos nas ruas: Protestos massivo buscam derrubar o regime teocrático no Irã
Uma onda de manifestações antigovernamentais continua a abalar o Irã, com dezenas de milhares de manifestantes ocupando as ruas em diversas cidades, exigindo o fim da República Islâmica e a derrubada do regime clerical. Os protestos, iniciados no final de dezembro de 2025 em resposta ao colapso econômico — marcado por hiperinflação, desvalorização extrema do rial e crise no custo de vida —, evoluíram rapidamente para um movimento político radical contra o governo dos aiatolás.
De acordo com análises de veículos como BBC Verify e BBC Persa, as manifestações se espalharam por mais de metade das 31 províncias do país, atingindo pelo menos 17 províncias e mais de 50 cidades, incluindo regiões tradicionalmente leais ao regime. Vídeos verificados mostram multidões entoando slogans contra o líder supremo Ali Khamenei e pedindo explicitamente a queda da República Islâmica estabelecida em 1979.
Embora o pico de violência tenha ocorrido em janeiro de 2026 — com massacres relatados nos dias 8 e 9 de janeiro, quando forças de segurança usaram munição letal, drones e atiradores de elite —, relatos indicam que atos de protesto persistem em menor escala em fevereiro, mesmo após repressão brutal que incluiu blackout total de internet e prisões em massa.
Organizações de direitos humanos como a HRANA (baseada nos EUA) documentaram milhares de mortes confirmadas (estimativas variam de 6 mil a mais de 18 mil, incluindo manifestantes, crianças e civis), além de dezenas de milhares de feridos e presos.
No exterior, a diáspora iraniana se mobilizou: no dia 7 de fevereiro de 2026, dezenas de milhares (algumas estimativas apontam para cerca de 100 mil) se reuniram em Berlim, na Alemanha, em frente ao Portão de Brandemburgo, em temperaturas abaixo de zero, para apoiar a revolta interna e rejeitar tanto o regime teocrático quanto qualquer restauração monárquica.
A presidente eleita do Conselho Nacional de Resistência do Irã (NCRI), Maryam Rajavi, discursou afirmando que o “contagem regressiva” para a derrubada começou e que as Unidades de Resistência formam a espinha dorsal organizada do levante.
O regime respondeu com força extrema, incluindo o uso de mercenários estrangeiros em alguns relatos, e mantém controle apertado sobre a narrativa oficial, divulgando listas parciais de vítimas e acusando interferência externa (EUA, Israel e serviços secretos).
Autoridades iranianas afirmam que os protestos foram suprimidos, mas a raiva popular permanece latente, alimentada por corrupção, má gestão econômica e repressão sistemática aos direitos humanos.


















