Medida do Ministério da Justiça pode comprometer força-tarefa do caso Master e outras apurações sensíveis, em meio a críticas de retaliação política e desvio de finalidade
O Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou o retorno de policiais federais e outros servidores cedidos a órgãos externos, uma decisão que, segundo fontes da corporação, ameaça esvaziar parte significativa das investigações em andamento, especialmente as relacionadas ao caso Master.

A convocação afeta cerca de um terço da força-tarefa envolvida nas apurações do caso Master, que atingem figuras próximas ao governo, como o senador Jaques Wagner (PT-BA). Até o momento, não há confirmação de que delegados cedidos diretamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) tenham sido impactados pela medida.
Em abril, o petista Lula da Silva já havia defendido publicamente a volta dos delegados, afirmando que muitos estariam fingindo trabalhar em outros cargos:
“Só vão ficar fora aqueles que forem secretários de Estado. Mas aqueles agentes, ou delegados, que estão aí em outro lugar, fingindo que estão trabalhando e não estão trabalhando, todos vão ter que voltar, porque nós vamos derrotar o crime organizado neste país.”
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) contestou a visão, destacando que os 53 delegados cedidos ocupam “funções estratégicas e de alta relevância para o Estado brasileiro”.
O secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ademar Borges, afirmou ao Estadão que a medida representa um “reforço de atividades” no combate ao crime organizado e que o processo, iniciado em abril, continua em curso, com mais de 100 pedidos de retorno enviados a diversos órgãos.
A decisão ocorre em um momento delicado para o governo, com as investigações do caso Master avançando sobre políticos influentes e gerando preocupação em Brasília.


















