Em sabatina televisiva, o petista Lula tentou capitalizar politicamente uma mentira descarada, dobrou a aposta após ser confrontado e gerou constrangimento ao validar a desinformação em rede nacional
Em um dos episódios mais surreais da corrida eleitoral de 2026, a barreira entre a realidade factual e a alucinação algorítmica parece ter sido formalmente abolida no topo do poder executivo. Durante uma entrevista concedida ao programa Canal Livre, da Band, o petista Lula da Silva protagonizou um momento de absoluto constrangimento institucional ao insistir em dar palanque a uma mentira escancarada — a famosa fake news que tentava associar o senador Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

O que deveria ser um debate baseado em fatos rapidamente degringolou para um teatro do absurdo. Ao ser interrompido e alertado por um jornalista ao vivo com a contestação direta — “Fake news, né, presidente?” —, a resposta do petista desafiou o bom senso de qualquer analista político ou cidadão. Sem coragem de assumir que estava repercutindo uma falsidade, mas incapaz de recuar na estratégia eleitoral, o mandatário disparou a pérola que já entrou para a antologia da desinformação nacional:
“Eu não sei se foi fake news. O dado concreto é que isso está na rede social muito forte”.
A Inversão Absurda: A Internet como Nova Bússola da Verdade
A declaração sintetiza um nível alarmante de descolamento da realidade. Na visão expressada pelo presidente da República, a veracidade de um fato deixa de depender de documentos, checagens, registros históricos ou da simples lógica (visto que o projeto citado como base para a farsa era, na verdade, uma proposta arquivada do século passado, de 2007, de autoria de outro parlamentar). Para o Planalto, se uma mentira ganha tração e engajamento nos algoritmos das redes sociais, ela automaticamente se converte em “dado concreto”.
O absurdo da postura reside no duplo padrão institucional. Um governo que erige oratórias diárias, gabinetes de combate à desinformação e cobranças estrondosas por regulação da internet vê-se, subitamente, validando e surfando na onda da mesma mentira digital quando ela atende aos interesses de sua narrativa de campanha.
O Enredo da Farsa e a Repercussão
A polêmica em torno da figura de Nossa Senhora Aparecida foi gerada nos bastidores digitais com o intuito evidente de desgastar a imagem de opositores perante o eleitorado católico. Mesmo após o próprio alvo da mentira desmentir publicamente a farsa em suas redes e de entidades religiosas de peso, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lembrarem enfaticamente que “a mentira não se combate com outra mentira”, a cúpula governista optou por incorporar a narrativa fantasiosa ao discurso oficial.
Insistir em uma inverdade dessa magnitude, justificando-a com o argumento de que “está forte na rede”, é a prova definitiva de que o fact-checking foi sumariamente cancelado pela conveniência política. Quando o próprio presidente valida o critério de que o boato cibernético substitui a verdade, a democracia passa a caminhar perigosamente à mercê dos robôs, dos algoritmos e do vale-tudo eleitoral.
Fonte: Estadão / CNN BRASIL
*Imagem da capa gerada por IA


















