Atos em Paris e outras cidades chegam à quarta semana com forte esquema policial e discursos inspirados na política brasileira
As principais cidades francesas registraram, neste sábado (7), a quarta jornada consecutiva de manifestações promovidas por diferentes setores sociais e movimentos populares. O avanço dos atos pelas vias urbanas voltou a tensionar o ambiente político no país, mobilizando um robusto aparato governamental de segurança e provocando reações dos principais líderes da oposição.

Entre as vozes de destaque nos protestos, o dirigente oposicionista de esquerda Jean-Luc Mélenchon utilizou sua participação nos atos para fazer alusões ao cenário político internacional. Em seu discurso para a multidão, Mélenchon entoou a palavra de ordem “viva Lula”, citando diretamente o resultado das eleições presidenciais brasileiras. Na ocasião, o líder francês destacou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa contra Flávio Bolsonaro como uma referência para a esquerda global e para os movimentos populares locais.
Forte Esquema de Segurança e Impactos Operacionais
Para conter eventuais distúrbios e resguardar edifícios públicos de interesse nacional, as autoridades francesas colocaram em prática um esquema especial de patrulhamento.
- Efetivo policial: Cerca de 70 mil agentes das forças de segurança foram mobilizados por todo o território francês para acompanhar os itinerários.
- Pontos turísticos e serviços: Pontos emblemáticos como a Torre Eiffel precisaram ter o acesso interrompido preventivamente durante os momentos de maior concentração.
- Monitoramento do Governo: Integrantes do gabinete do primeiro-ministro pontuaram que, apesar do impacto urbano, o volume total de manifestantes registrados neste final de semana apresentou patamares inferiores aos verificados nas primeiras semanas de mobilização.
Pautas Estudantis e Impasse Institucional
Além das pautas sindicais e econômicas, o movimento ganhou tração nas redes de ensino. Estudantes do ensino médio e universitários vêm marcando presença nas passeatas, reivindicando alterações nas diretrizes da avaliação contínua do baccalauréat — o exame de conclusão do ciclo secundário francês —, a criação de 15 mil novas vagas na rede universitária pública e melhorias estruturais.
Em resposta à pressão exercida pelas bancadas de oposição e pelas lideranças estudantis nas ruas, o governo francês sinalizou a abertura de rodadas de negociação e reuniões de emergência com representantes dos estudantes para buscar uma convergência sobre o orçamento e as reformas no setor educacional.
Fonte: Folha de São Paulo
*imagem da capa editada por IA


















