Escalada de tensões fronteiriças leva a ataques aéreos em cidades afegãs; ministro paquistanês afirma que “nossa paciência se esgotou” em meio a acusações mútuas de abrigar militantes.
O Paquistão intensificou o conflito com o Afeganistão ao lançar ataques aéreos contra forças do Talibã em cidades importantes, incluindo a capital Cabul e Kandahar, na madrugada desta sexta-feira (27). Foi a primeira vez que Islamabad atacou diretamente o governo talibã, seus antigos aliados, marcando uma ruptura grave nas relações entre os vizinhos.
Após os bombardeios, o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Muhammad Asif, declarou formalmente o estado de hostilidades em postagem na rede social X: “Nossa paciência se esgotou. Agora é guerra aberta entre nós e vocês (Afeganistão).”
Os ataques paquistaneses, com mísseis ar-terra e ações terrestres ao longo da fronteira de 2.600 km, atingiram também a província de Paktia. Islamabad alegou ter destruído 27 postos talibãs, capturado nove e causado 133 mortes entre combatentes afegãos, além de mais de 200 feridos. Os números, porém, divergem: o Talibã relatou 55 soldados paquistaneses mortos, 19 postos tomados, oito combatentes próprios mortos, 11 feridos e 13 civis feridos na província de Nangarhar.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, confirmou os bombardeios em Cabul, Kandahar e Paktia, mas negou baixas significativas e afirmou que as forças afegãs responderam com drones contra alvos militares no Paquistão, classificando as ações como “realizadas com sucesso”.
O Paquistão justifica os ataques como resposta a “ataques afegãos não provocados” e à acusação de que o Talibã abriga militantes do Tehreek-e-Taliban Paquistanês (TTP) e do Estado Islâmico, responsáveis por atentados em solo paquistanês. Cabul nega as alegações, afirmando que a insegurança do Paquistão é problema interno e advertindo para uma “forte resposta”.
A escalada ocorre após meses de tensões crescentes, com confrontos anteriores em outubro e negociações mediadas por Turquia, Catar e Arábia Saudita. Países como Rússia, China, Irã e Arábia Saudita já ofereceram mediação para evitar um conflito prolongado em uma região sensível, que envolve potências nucleares.
O confronto ameaça desestabilizar ainda mais o Sul da Ásia, com ambos os lados trocando acusações de violações de soberania e exportação de terrorismo.


















