Inquérito policial revela que instituição financeira utilizou suposto crédito bilionário da época da Segunda Guerra para mascarar rombo fiscal e atrair investidores
Uma investigação sigilosa da Polícia Federal (PF) trouxe à tona uma suposta engenharia contábil altamente incomum no sistema financeiro nacional. De acordo com relatórios do inquérito policial, o Banco Digimais — instituição que ganhou notoriedade nacional nos últimos anos — teria utilizado uma dívida histórica originada no ano de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de inflar artificialmente o patrimônio líquido listado em seus balanços oficiais.

A manobra, segundo as autoridades, serviu para maquiar a real saúde financeira da empresa e evitar sanções ou intervenções regulatórias por parte do Banco Central (BC), além de transmitir uma falsa robustez ao mercado de capitais e aos correntistas.
Os peritos financeiros da PF identificaram que a fraude consistia na inserção de títulos da dívida pública extremamente antigos e desatualizados, cuja validade jurídica e liquidez são contestadas pela Secretaria do Tesouro Nacional. O mecanismo consistia em reavaliar esses papéis por valores bilionários contemporâneos para compensar perdas operacionais reais do banco.
O uso desse artifício contábil permitiu que o banco operasse por meses sem disparar os alertas automáticos de insolvência do órgão regulador. Com o avanço das apurações, os investigadores buscam mapear a responsabilidade dos auditores independentes que chancelaram os demonstrativos financeiros do período e se houve conivência interna.
Os relatórios da PF já foram encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF) para o oferecimento de denúncia formal por crimes contra o sistema financeiro nacional.


















