Delegados da PF enviam carta aberta a Lula cobrando recursos urgentes para enfrentar o crime organizado
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) encaminhou na sexta-feira (30/1) uma carta aberta ao petista Lula da Silva solicitando medidas imediatas para superar entraves orçamentários e estruturais que ameaçam a capacidade operacional da instituição no combate ao crime organizado.
A entidade reconhece avanços recentes na recuperação de ativos ilícitos, mas alerta para sobrecarga de tarefas, fuga de talentos e riscos à efetividade das investigações.
Assinada pelo presidente da ADPF, Edvandir Paiva, a missiva destaca que, apesar do apoio recebido do governo federal, “a Polícia Federal tem recebido, de forma contínua, novas atribuições legais e operacionais, sem a correspondente recomposição orçamentária”.
Como resultado, a carreira enfrenta desafios graves: nos últimos três anos, 104 novos delegados foram empossados, mas 50 deixaram a corporação, configurando um saldo negativo que compromete a continuidade das operações.
A carta aponta ainda a queda no interesse por concursos públicos: o número de inscritos despencou de 321 mil em 2021 para 218 mil em 2025.
“Uma carreira historicamente almejada como projeto profissional de longo prazo por operadores do Direito corre, assim, o risco de se transformar em mero cargo de transição”, adverte o documento. Os delegados afirmam que a PF “se encontre em posição de desvantagem institucional em relação a carreiras e órgãos congêneres, inclusive no âmbito do próprio Poder Executivo”.
Entre 2024 e 2025, a Polícia Federal recuperou cerca de R$ 16,4 bilhões em bens e valores oriundos do crime organizado — R$ 6,9 bilhões em 2024 e R$ 9,5 bilhões em 2025 —, por meio da estratégia de asfixia financeira. Como solução sustentável, a ADPF defende a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC), proposta já apresentada pelo Ministério da Justiça em novembro de 2025.
O fundo permitiria reinvestir os recursos confiscados na modernização tecnológica da PF e na implementação da Gratificação de Eficiência Institucional (GEI), vinculando valorização profissional ao desempenho no combate ao crime.
A associação pede explicitamente ao presidente: “envio imediato do Projeto de Lei instituidor do FUNCOC ao Congresso Nacional e mobilize os esforços do Governo Federal para sua célere apreciação e aprovação”.
E conclui: “A aprovação do FUNCOC, com pequenos ajustes já encaminhados pela ADPF ao Diretor-Geral da Polícia Federal, permitirá ao Governo Federal transmitir uma mensagem clara e inequívoca à sociedade brasileira: o produto do crime será utilizado no combate ao próprio crime”.
A iniciativa ocorre em um momento de expansão das atribuições da PF, incluindo investigações complexas de corrupção, lavagem de dinheiro e facções criminosas, sem contrapartida financeira proporcional.


















