PGR arquiva pedido de oposição para afastar Toffoli da relatoria do caso Master
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, decidiu arquivar uma representação protocolada por deputados da oposição que solicitava o impedimento ou suspeição do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na condução do chamado Caso Master.
A decisão foi tomada com base na avaliação de que o inquérito já tramita regularmente na Corte, sem necessidade de medidas adicionais nesse momento.
O pedido foi apresentado pelos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Carlos Jordy (PL-RJ) e Caroline de Toni (PL-SC). Eles alegavam possível parcialidade de Toffoli devido a uma viagem realizada pelo ministro a Lima, no Peru, em 28 de novembro de 2025, em uma aeronave pertencente ao advogado Augusto Arruda Botelho.
Esse profissional atua na defesa de Luiz Antônio Bull, diretor de compliance do Banco Master e um dos investigados no processo.
Na manifestação de arquivamento, a PGR argumentou: “o caso a que se refere a representação já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República. Não há, portanto, qualquer providência a ser adotada no momento”.
O Caso Master refere-se a investigações sobre supostas fraudes financeiras e conexões com uma trama golpista atribuída ao presidente Jair Bolsonaro e sete aliados, com o objetivo de anular o resultado das eleições de 2022. O inquérito corre em sigilo no STF, sob relatoria de Toffoli.
Recentemente, em 16 de janeiro, o ministro deferiu nova prorrogação das investigações por mais 60 dias, justificando em sua decisão:
“Trata-se de manifestação da autoridade policial, requerendo nova prorrogação do prazo para conclusão das investigações por mais 60 (sessenta) dias. Posto isso, considero que as razões apontadas para prorrogação, por mais 60 (sessenta) dias, devem ser deferidas”.
Toffoli tem mantido a posição de que não há impedimento ou suspeição em sua atuação, destacando que busca evitar nulidades processuais e garantir a imparcialidade.
A controvérsia em torno da relatoria ganhou força após decisões como a transferência da custódia de provas (aparelhos celulares e computadores apreendidos) da sede do STF para a PGR, com permissão para que quatro peritos da Polícia Federal acompanhem a extração de dados.
O arquivamento pela PGR mantém Toffoli à frente do inquérito, apesar das críticas de setores da oposição e de parte da Polícia Federal.
Há expectativa de que outros pedidos semelhantes, como o apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), sejam analisados em breve

















