Romer Saucedo deixa o território boliviano sob acusações de envolvimento com o crime organizado, alega perseguição política do governo federal e passa a ser alvo de alerta internacional da Interpol
o cenário político e institucional da Bolívia sofreu um forte abalo com a fuga do presidente da mais alta corte de Justiça do país, Romer Saucedo. O magistrado deixou o território boliviano após a expedição de um mandado de prisão formal contra ele por suposto envolvimento com o tráfico internacional de drogas.

Diante da fuga do chefe do Poder Judiciário, o Ministério Público da Bolívia confirmou que acionará formalmente a Interpol para a emissão de uma difusão vermelha, com o objetivo de localizar e capturar o magistrado em âmbito internacional.
Acusações de narcotráfico, fuga e alegação de perseguição
Ao ter sua ordem de prisão decretada, Romer Saucedo optou por sair do país e declarar-se no exílio. Em manifestações públicas, o magistrado rebatia os indiciamentos e acusava o governo boliviano de promover uma “perseguição política” orquestrada contra autoridades e membros da cúpula do sistema judiciário local.
A crise ocorre em meio a investigações mais amplas sobre o sistema de justiça boliviano. Em março, a Bolívia aderiu ao Escudo das Américas, uma aliança regional voltada ao combate ao crime organizado transnacional — iniciativa apoiada e liderada pela administração de Donald Trump nos Estados Unidos, que manifestou sustentação às apurações recentes envolvendo autoridades do judiciário boliviano.
Reorganização da Corte e desdobramentos operacionais
A saída não planejada do presidente da instituição forçou a mais alta instância judicial da Bolívia a dar início aos procedimentos para a escolha de uma liderança temporária. Os próximos passos do processo envolvem:
- Busca Internacional: O acompanhamento do caso pelas autoridades de segurança e pela cooperação policial internacional via Interpol para efetuar a prisão do magistrado.
- Comando Interino: A designação de um novo presidente temporário pelo plenário do tribunal para garantir a continuidade dos trabalhos jurídicos.
- Avanço das investigações: O aprofundamento das diligências do Ministério Público sobre possíveis ramificações do narcotráfico em instâncias superiores do Estado.
O episódio coloca em evidência a gravidade das tensões entre o Executivo e o Judiciário na Bolívia, além de expor o alcance das operações transnacionais de combate ao tráfico na América do Sul.
Fonte: Folha de São Paulo
*Imagem da capa editada por IA

















