A suspensão das entrevistas reforça o temor de que críticas ao STF sejam tratadas como obstrução ou alvo de retaliação
Em mais um episódio que escancara o clima de intimidação no Judiciário, o presidente da Unafisco Nacional (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), Kléber Cabral, decidiu suspender todas as suas entrevistas à imprensa. A medida drástica veio logo após intimação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que ele preste depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (20), às 15h.

O depoimento, em procedimento sigiloso, tem como objetivo esclarecer as críticas públicas feitas por Cabral à operação da PF deflagrada na terça-feira (17), que cumpriu buscas e apreensões contra quatro auditores fiscais suspeitos de acessar indevidamente e vazar dados sigilosos de ministros do STF e familiares.
As medidas cautelares impostas aos servidores – como tornozeleira eletrônica, afastamento do cargo, cancelamento de passaporte e proibição de saída do país – foram duramente questionadas pelo dirigente sindical.
Cabral, que concedeu várias entrevistas na quarta-feira (18), incluindo à GloboNews e ao Globo, defendeu os auditores e classificou as ações como desproporcionais e intimidatórias. Por precaução, segundo interlocutores próximos, ele optou por calar a boca midiática até prestar o depoimento, evitando qualquer declaração que possa ser usada contra si ou a entidade.
A Unafisco, que representa auditores fiscais da Receita, já havia manifestado “preocupação com a adoção de medidas cautelares gravosas” em nota oficial, defendendo a presunção de inocência e o respeito ao devido processo legal.
A suspensão das entrevistas reforça o temor de que críticas ao STF sejam tratadas como obstrução ou alvo de retaliação, em um contexto onde auditores hesitam em fiscalizar autoridades por medo de represálias.
O depoimento de Cabral ocorre no âmbito do inquérito das fake news, sob relatoria de Moraes. Até o momento, nem a Unafisco nem a defesa do presidente comentaram oficialmente o teor da intimação ou o depoimento marcado para hoje.
A decisão de suspender entrevistas é vista por aliados como mais um sinal de cerceamento à liberdade de expressão e à defesa sindical em meio a uma crise institucional.


















