A Venezuela inicia a libertação de presos políticos em meio a mudanças drásticas no cenário político do país.
O anúncio ocorreu nesta quinta-feira (8 de janeiro de 2026), apenas cinco dias após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, durante uma operação militar realizada pelos Estados Unidos.
O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, comunicou a medida afirmando que:
“O governo bolivariano decidiu libertar um número significativo de cidadãos venezuelanos e estrangeiros, e esses processos de libertação estão em andamento”.
Segundo ele, a iniciativa busca “contribuir para o esforço” de “unidade nacional” e promover a paz no país.
A ação atende a uma das principais demandas apresentadas pelas autoridades americanas ao novo governo interino venezuelano após a captura de Maduro.
Relatos indicam que o governo Trump incluiu a libertação de presos políticos como prioridade em comunicações oficiais.
De acordo com a ONG Foro Penal, até o dia 5 de janeiro de 2026, o país registrava 806 presos políticos, incluindo venezuelanos e estrangeiros. As primeiras confirmações de solturas envolvem cinco cidadãos espanhóis (incluindo uma com dupla nacionalidade venezuelana-espanhola), cujos retornos à Espanha já foram coordenados pelo Ministério das Relações Exteriores espanhol.
Principais nomes confirmados entre os libertados
- Rocío San Miguel (58 anos, advogada venezuelana-espanhola): Especialista em Direito Internacional, segurança, defesa e direitos humanos. Presidente da ONG Control Ciudadano, dedicada ao monitoramento das Forças Armadas venezuelanas. Foi detida em fevereiro de 2024 sob acusação de conspiração, que sua defesa sempre negou. Passou quase dois anos presa, principalmente em El Helicoide.
- Andrés Martínez (32 anos, espanhol do País Basco): Preso em setembro de 2024 em Puerto Ayacucho (Amazonas), acusado de participação em atos terroristas e mercenários para assassinar Maduro – acusação negada pelo governo espanhol.
- José María Basoa (35 anos, espanhol do País Basco): Detido nas mesmas circunstâncias que Martínez, em setembro de 2024.
- Miguel Moreno Dapena (34 anos, jornalista das Ilhas Canárias): Capturado em junho de 2025 após interceptação de um navio (N35), sob acusações de terrorismo e invasão de zonas de segurança.
- Ernesto Gorbe Cardona (52 anos, espanhol de Valência): Detalhes adicionais sobre sua prisão ainda são limitados, mas sua libertação foi confirmada junto aos demais.
- Enrique Márquez: ex-candidato à presidência venezuelana Enrique Márquez, que se opôs a Nicolás Maduro na contestada eleição presidencial de 2024, foi libertado da prisão.
Essas libertações representam um gesto inicial em meio à grave crise política na Venezuela, marcada pela intervenção militar dos EUA, a detenção de Maduro (atualmente respondendo a acusações em Nova York) e a instalação de um governo interino.
Organizações de direitos humanos acompanham de perto o processo, cobrando transparência sobre o número total de beneficiados e a continuidade das solturas.


















