Soledad Palameta Miller, de 36 anos, é investigada por retirar material biológico de nível NB-3 sem autorização, transferir para outros freezers e descartar frascos em lixo comum; ela responde em liberdade com medidas cautelares
A Polícia Federal prendeu em flagrante a professora Soledad Palameta Miller, docente da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob suspeita de furtar amostras virais de um laboratório de alta contenção biológica, de acordo com a matéria da CNN BRASIL.

O caso envolve crimes contra a biossegurança e o patrimônio público. A investigada, de 36 anos, não possuía credencial de acesso direto ao Laboratório de Virologia Aplicada, localizado no Instituto de Biologia da Unicamp, em ambiente de nível NB-3 (alta segurança). Segundo as apurações, ela utilizou sua influência como docente para pedir que uma aluna de mestrado abrisse as portas das instalações restritas.
As amostras subtraídas foram transferidas para freezers de outros pesquisadores sem autorização. Durante as buscas, a perícia encontrou frascos abertos e manipulados, além de grande quantidade de material descartado de forma irregular em lixeiras comuns no Laboratório de Cultura de Células — conduta que, segundo a Justiça, configurou exposição da saúde de terceiros a perigo direto.
O desaparecimento das amostras foi detectado na manhã de 13 de fevereiro. A prisão em flagrante ocorreu na segunda-feira (23 de março), enquanto Soledad dirigia seu veículo em via pública de Campinas. Na audiência de custódia realizada no dia seguinte (24 de março), a Justiça Federal concedeu liberdade provisória à professora, impondo medidas cautelares: pagamento de fiança equivalente a dois salários-mínimos, proibição total de acesso aos laboratórios da Unicamp, entrega do passaporte, proibição de deixar o país sem autorização judicial e comparecimento mensal obrigatório à 9ª Vara Federal de Campinas.
Soledad Palameta Miller ingressou como docente na Unicamp em agosto de 2025. Ela possui doutorado em Ciências e detém uma patente relacionada a composições terapêuticas de partículas imunomoduladoras semelhantes a vírus.
A Unicamp instaurou investigação interna e informou que colabora integralmente com a Polícia Federal, a Anvisa e o Ministério da Agricultura para esclarecer os fatos. Os crimes apurados incluem furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.
Fonte: CNN BRASIL

















