A disputa eleitoral de 2026 marcou um momento histórico para a política brasileira ao registrar um recorde expressivo no número de governadores eleitos logo no primeiro turno.
Enquanto a grande maioria das unidades federativas do país já definiu o comando dos seus executivos estaduais, cenários de segundo turno e reviravoltas jurídicas — com destaque para o desfecho no estado do Rio de Janeiro — movimentaram os tribunais eleitorais e os bastidores políticos do país.

O Panorama Nacional: 20 Estados com comando definido
O pleito consolidou uma nova configuração de forças políticas nos governos estaduais. Ao todo, 20 estados já bateram o martelo e elegeram seus governadores no primeiro turno, estabelecendo uma marca histórica de resolutividade nas urnas em outubro de 2026.
Entre os partidos, o PL (Partido Liberal) destacou-se ao conquistar o maior número de governos estaduais já na etapa inicial, seguido de perto por outras siglas de expressão nacional como o PSD e o PT. A capilaridade das alianças regionais permitiu que estados de grande peso econômico e demográfico tivessem suas disputas encerradas sem a necessidade de uma nova rodada de votação.
Relação dos Estados com Decisão no 1º Turno:
- São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos)
- Minas Gerais: Cleitinho Azevedo (Republicanos)
- Paraná: Sergio Moro (PL)
- Rio Grande do Sul: Luciano Zucco (PL)
- Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT)
- Pernambuco: Raquel Lyra (PSD)
- Ceará: Elmano de Freitas (PT)
- Goiás: Daniel Vilela (MDB)
- Mato Grosso: Otaviano Pivetta (Republicanos)
- Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP)
- Pará: Dr. Daniel (Podemos)
- Paraíba: Lucas Ribeiro (PP)
- Piauí: Rafael Fonteles (PT)
- Santa Catarina: Jorginho Mello (PL)
- Espírito Santo: (Definições complementares na região Sudeste)
- Demais estados validados conforme a apuração oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), incluindo Alagoas (com a vitória confirmada de JHC pelo PSDB após acirrada apuração), Amapá (com ressalvas de recursos pendentes), Maranhão (Eduardo Braide pelo PSD), Rondônia (Marcos Rogério pelo PL), Roraima (Arthur Henrique pelo PL) e Sergipe (Fábio Mitidieri pelo PSD).
Onde haverá segundo turno?
Apesar da alta taxa de definição antecipada, importantes colégios eleitorais e estados estratégicos vão às urnas novamente para decidir o comando do Palácio do Governo. Estados como Acre, Amazonas, Tocantins, Rio Grande do Norte, Espírito Santo e o Distrito Federal enfrentam desdobramentos de segundo turno.
O recálculo no Rio de Janeiro: A virada jurídica que definiu o Palácio Guanabara
Um dos pontos mais polêmicos e acompanhados de perto pelo cenário jurídico-eleitoral brasileiro envolveu o estado do Rio de Janeiro. Inicialmente projetado para uma disputa de segundo turno, o cenário fluminense passou por uma reviravolta institucional após decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).
Anulação dos votos de Anthony Garotinho
O imbróglio começou quando o TSE confirmou o indeferimento da candidatura de Anthony Garotinho, barrada pelo TRE-RJ devido a uma condenação por improbidade administrativa. Mesmo com tentativas de recuo e desistência de recursos por parte da defesa do ex-governador na véspera dos julgamentos, a Corte manteve o entendimento de invalidar os 274.411 votos recebidos por ele.
A retotalização oficial pelo TRE-RJ
Com a exclusão desses votos do montante geral, o total de sufrágios considerados legalmente válidos no estado diminuiu de maneira proporcional. Na apuração primária das urnas, o candidato Douglas Ruas (PL) havia alcançado 4.271.199 votos (equivalentes a 49,27% dos válidos), enquanto Eduardo Paes (PSD) pontuara com 3.706.984 votos (42,76%).
Ao retirar os votos de Garotinho do cálculo matemático dos válidos, o patamar de maioria absoluta exigido pela legislação para liquidar a fatura no primeiro turno sofreu alteração técnica. Com isso, Douglas Ruas saltou para 50,88% dos votos válidos, superando com folga de mais de 73 mil votos o limite mínimo necessário de enteros absolutos.
Diante disso, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) realizou a sessão oficial de retotalização dos votos na sede do tribunal.
Desistência de recursos e posicionamento de Eduardo Paes
A defesa de Eduardo Paes havia tentado reverter a situação jurídica no Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de um pedido de medida cautelar para suspender os efeitos da decisão do TSE e assegurar a realização do segundo turno fluminense. No entanto, o ministro Cristiano Zanin rejeitou o pleito sob o argumento de ausência de requisitos formais imediatos para intervenção da Suprema Corte naquele momento processual.
Após a negativa de Zanin, Eduardo Paes veio a público por meio de suas redes sociais para comunicar que desistiria de novos recursos judiciais, reconhecendo o desfecho e pontuando respeito institucional às regras democráticas:
“Infelizmente, a Justiça decidiu que não haverá segundo turno, contrariando a vontade soberana dos eleitores. E decisão judicial a gente respeita. É assim que funciona a democracia”, declarou Paes.
Com a conclusão do procedimento de retotalização e proclamação oficial pelo TRE-RJ, o cenário político do estado do Rio de Janeiro consolida a vitória de Douglas Ruas no primeiro turno das Eleições de 2026, encerrando as expectativas de uma nova etapa de votação na região metropolitana e interior fluminense.
Fonte: G1
*Imagem da capa editada por IA


















