Mensagens e fotografias recuperadas pela Polícia Federal expõem a minuciosa preparação de um encontro exclusivo em Campos do Jordão, reunindo pratos de alto luxo, vinhos raros e recomendações estritas de discrição
Novos elementos obtidos por meio de extrações de dados em dispositivos apreendidos pela Polícia Federal (PF) revelaram os bastidores detalhados de um almoço de alto padrão organizado pelo empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O evento teve como principal figura o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ocorreu em um cenário exclusivo situado em Campos do Jordão (SP), mais especificamente nas dependências do hotel Six Senses Botanique.












As conversas, fotografias e instruções trocadas entre Vorcaro e o chef de cozinha responsável pelo menu — identificado como José Maria Meira — expõem o rigor com que o ex-dono do Banco Master conduziu cada etapa para agradar o magistrado, classificado por ele nas mensagens interceptadas como seu convidados mais importante até então.
O cardápio exclusivo e a preocupação com a ostentação
Os registros mostram que o chef foi avisado com três dias de antecedência para preparar a refeição refinada. Diante da encomenda, o profissional pontuou a necessidade de mobilização rápida para conseguir insumos raros e caros, como trufas brancas — iguaria cujo quilo pode alcançar cifras expressivas —, além de listar itens como caviar beluga, vieiras com ovas de salmão, ovo trufado, foie gras com banana, carne do tipo wagyu e vinhos de safras históricas.
Um dos trechos de destaque nas conversas diz respeito à preocupação de Vorcaro com a estética do serviço e a possível impressão de excesso de ostentação. Ao visualizar uma imagem preliminar enviada pelo chef com latas de caviar beluga já dispostas sobre a mesa principal, o banqueiro ponderou:
“Essas latas de caviar já na mesa não tá deixando muito pomposo, não? Quero almoço espetacular, mas sem forçar a barra de aparecer. Não sei. Era melhor levar na hora”.
O chef prontamente tranquilizou o organizador, respondendo que a foto servia apenas para ilustrar os preparativos e que o serviço seria realizado de maneira dinâmica.
Seleção de vinhos raros e pedidos estritos de discrição
Além da comida, a curadoria das bebidas mobilizou a atenção de Vorcaro. O empresário solicitou vinhos de alta qualidade extraídos de sua própria adega, cobrando opções ainda mais antigas e orientando a seleção de um rótulo branco do ano de 1983. Entre as marcas e referências mencionadas nos diálogos de planejamento estavam grandes nomes da vitivinicultura francesa, como Château Mouton Rothschild e Château Cheval Blanc. Ao término da recepção, que se estendeu por cerca de quatro horas e meia, o ex-banqueiro ainda autorizou a entrega de uma caixa contendo vinhos como presente aos convidados presentes.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores federais foi a recomendação explícita de anonimato feita por Vorcaro para proteger a imagem do ministro durante a interação com a equipe de apoio. O empresário instruiu o chef a evitar menções ao seu próprio nome para não gerar constrangimentos ao convidado de honra:
“Outra coisa, evitar falar nome, até o meu, pra não constranger o principal convidado. Só se ele perguntar algo de mim aí pode falar normalmente. Mas, caso contrário, deixa o momento ser algo como se fosse dele perante os demais convidados. Assim, evita constrangê-lo”.
Repercussão e desdobramentos
As evidências sobre o almoço ultra-vip somam-se ao vasto material analisado pela Polícia Federal no âmbito das apurações que miram as conexões e os círculos de influência de Daniel Vorcaro. Procurados pelos órgãos de imprensa para comentar as revelações contidas nos registros digitais, o ministro Alexandre de Moraes, a defesa de Vorcaro e o chef José Maria Meira optaram por não se manifestar sobre o teor das mensagens divulgadas.
Fonte: O Globo
*Imagem da capa editada por IA


















