Para o ex-embaixador em Washington, promessa do governo de responder ao tarifaço com taxas espelho ignora o peso comercial global do Brasil e pode desencadear uma guerra econômica destrutiva
A proposta de adotar uma reciprocidade tarifária como linha de defesa frente ao endurecimento comercial dos Estados Unidos dificilmente sairá do papel. A avaliação contundente é do ex-embaixador do Brasil em Washington, Rubens Barbosa. Em análise técnica sobre a crise diplomática instalada, o especialista alertou que o mecanismo — ventilado nos bastidores de Brasília como resposta soberana à sobretaxa norte-americana — funciona muito mais como uma cortina de fumaça política do que como uma ferramenta econômica praticável.
Para o diplomata, transformar um complexo contencioso aduaneiro em palanque de retórica ideológica é um erro estratégico que ignora a realidade das forças de mercado internacionais.
De acordo com Barbosa, o Palácio do Planalto desenha o uso da chamada Lei da Reciprocidade para tentar demonstrar força e revidar na mesma moeda os tributos sobre produtos importados. Contudo, o especialista argumenta que o país carece de musculatura macroeconômica para sustentar um enfrentamento direto com a maior potência do Ocidente, correndo o risco de sofrer sérias contra-retaliações.
A crítica central de setores técnicos do comércio exterior foca na inércia governamental em construir canais sólidos e pragmáticos de comunicação direta com a Casa Branca. O diagnóstico sugere que a equipe econômica e o Itamaraty optaram por politizar o debate tarifário para as bases domésticas em vez de focar no trabalho silencioso e setorial de isenções.
Fonte: Globo News

















