O senador Eduardo Girão (Novo-CE) anunciou que reuniu 42 assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar supostas irregularidades e fraudes no Banco Master.

O número supera em 15 o mínimo exigido pela Constituição – um terço dos 81 senadores, ou 27 assinaturas.
Com o apoio garantido, o requerimento agora depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que deve ler o documento em plenário e indicar o presidente da comissão para iniciar os trabalhos.
A articulação ocorre em meio ao recesso parlamentar, mas parlamentares da oposição e até alguns da base governista mobilizaram-se para pressionar pela instalação rápida, possivelmente já na primeira sessão de 2026.
A proposta de CPI do Banco Master busca apurar uma série de pontos polêmicos: a fraude estimada em cerca de R$ 12 bilhões identificada pela Polícia Federal, que resultou na liquidação extrajudicial do banco; possíveis falhas na supervisão do Banco Central; e conexões políticas, incluindo a participação do Banco de Brasília (BRB) na aquisição de ativos e supostos elos com figuras do Judiciário e do governo.
O caso ganhou repercussão após a PF apontar indícios de crimes financeiros graves, prejudicando investidores e clientes. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) já recebeu milhares de pedidos de ressarcimento, com pagamentos iniciados recentemente.
Paralelamente, na Câmara dos Deputados, deputados como Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) afirmam ter coletado assinaturas suficientes para uma CPI similar, o que pode levar a uma CPMI mista (Câmara e Senado) se houver convergência. Outras CPIs já em andamento, como a do INSS e do Crime Organizado, mostram o Congresso em ritmo acelerado de investigações.
A oposição vê na CPI do Master uma oportunidade para esclarecer responsabilidades e eventuais favorecimentos. O governo e aliados defendem que o caso é estritamente financeiro e regulatório, sem motivações políticas.
Até o momento, o Senado não confirmou data para leitura do requerimento. A instalação da comissão dependerá da agenda de Alcolumbre e do plenário.
A CPI do Banco Master reforça o debate sobre transparência no sistema financeiro brasileiro, supervisão bancária e impactos de crises financeiras em investidores comuns.


















