Auditor fiscal alegou que acesso ocorreu de forma acidental
Um auditor fiscal da Receita Federal, alvo de operação da Polícia Federal autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), prestou depoimento e alegou que o acesso a dados sigilosos de uma familiar do ministro Gilmar Mendes ocorreu de forma acidental e sem intenção deliberada.
O servidor, identificado como Ricardo Mansano de Moraes, afirmou que, durante uma consulta em novembro de 2025, confundiu o nome de uma pessoa com o de uma ex-esposa de um amigo de longa data, que possui sobrenome semelhante (Feitosa).
Ele explicou que buscava informações sobre o Imposto de Renda (IR) de 2008 dessa conhecida, mas acabou acessando, por engano, dados cadastrais da enteada do ministro Gilmar Mendes, Maria Carolina Feitosa, filha da advogada Guiomar Feitosa.
Segundo relatos de interlocutores e do presidente da Unafisco Nacional, Kléber Cabral, o auditor já havia esclarecido o equívoco internamente na Receita Federal, preenchendo o formulário obrigatório para justificar consultas fora do escopo funcional.
A defesa do servidor reforça que o acesso não ultrapassou a tela inicial de busca, não envolveu extração de dados fiscais detalhados (como movimentações bancárias ou declarações completas) e não resultou em vazamento ou divulgação de informações.
“Ele estava atrás de saber se essa pessoa era uma ex-mulher, enfim, um parente de mesmo sobrenome que tinha sido amigo dele de longa data, então fez isso”, explicou Kléber Cabral em entrevista, destacando que o caso deve ser tratado administrativamente pela corregedoria da Receita.
O episódio faz parte de um inquérito mais amplo que investiga supostos acessos irregulares a dados fiscais de ministros do STF e familiares por quatro servidores públicos.
A operação, deflagrada em 17 de fevereiro de 2026, resultou em buscas, apreensões, afastamentos cautelares e uso de tornozeleira eletrônica para alguns investigados, medidas criticadas por entidades de classe como desproporcionais e intimidatórias.


















