Toffoli critica “falta de empenho” da PF e cobra explicações do diretor-geral em investigação sobre o Banco Master
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou forte insatisfação com a atuação da Polícia Federal (PF) na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes e irregularidades no Banco Master.
Em despacho assinado na terça-feira (13 de janeiro de 2026), Toffoli destacou o descumprimento de prazo judicial para deflagração da operação e apontou “falta de empenho” da corporação, atribuindo possível prejuízo às investigações à “inércia exclusiva da PF”.
A operação, realizada na manhã desta quarta-feira (14/1), cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro (controlador do Banco Master), seus familiares e outros investigados, em estados como São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
As medidas incluem sequestro e bloqueio de bens superiores a R$ 5,7 bilhões, além de apreensões como R$ 100 mil em espécie, quatro carros de luxo, 16 relógios e uma arma.
Toffoli autorizou as diligências em decisão de 12 de janeiro (às 14h52), determinando execução em até 24 horas, justificando a urgência pela “gravidade dos fatos e necessidade de aprofundamento da investigação, com fartos indícios de práticas criminosas de todos os envolvidos”. No entanto, a ação só ocorreu após o prazo, o que levou o ministro a questionar a demora.
“Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaracterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas.”
Ele reforçou a responsabilidade da PF: “Eventual frustração” no cumprimento de medidas cautelares ocorrerá “de inércia exclusiva da PF”.
Toffoli determinou que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, preste esclarecimentos à Corte em 24 horas sobre os motivos do atraso. As diligências foram solicitadas pela própria PF em 6 de janeiro e autorizadas no dia 7, mas o cumprimento só se concretizou após intervenção do ministro.
O caso envolve suspeitas de carteiras de crédito fictícias, manipulação de mercado e lavagem de capitais no Banco Master, que levou à liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, após a primeira fase da operação.
A apuração ganhou contornos políticos e ganhou repercussão por envolver figuras como o investidor Nelson Tanure e parentes de Vorcaro, incluindo a prisão temporária do cunhado Fabiano Zettel (frustrada tentativa de fuga para Dubai).
A PF ainda não se manifestou oficialmente sobre as críticas de Toffoli.
O inquérito segue sob sigilo parcial no STF, com expectativa de novas medidas para aprofundar as provas sobre o esquema bilionário que pode impactar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).


















