Por que o ministro não confia na corporação?
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem adotado medidas incomuns na condução do inquérito que investiga fraudes bilionárias no Banco Master, gerando atritos institucionais com a Polícia Federal (PF).
Após prorrogar por mais 60 dias as investigações (atendendo a pedido da própria corporação), Toffoli indicou nominalmente quatro peritos da PF para analisar o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero — sem consultar a cúpula da instituição.
A escolha direta dos profissionais (especialistas em informática e contabilidade) foi vista internamente como ingerência e “arbitrária”, já que o procedimento padrão envolve o Instituto Nacional de Criminalística designar os nomes conforme necessidade.
Os peritos terão “livre acesso” aos equipamentos, com acompanhamento da Procuradoria-Geral da República (PGR), mas o episódio reforça a percepção de que o ministro busca maior controle sobre as provas.
Além disso, Toffoli reduziu de seis para dois dias o prazo para que a PF realize oitivas dos investigados, justificando limitações de pessoal e salas no STF.
Essas decisões vêm após críticas do ministro à “falta de empenho” da corporação em cumprir prazos anteriores, incluindo o atraso na deflagração da operação — que resultou em apreensões de carros de luxo, armas, dinheiro em espécie e dispositivos eletrônicos.
A tensão ganhou destaque em análises jornalísticas, com questionamentos sobre a confiança do relator na PF. Preservando a expressão usada em debates públicos e na mídia especializada:
“Toffoli controla a investigação, escolhe peritos e limita a PF. Isso explica tudo!”
O caso envolve suspeitas de gestão fraudulenta, lavagem de capitais, manipulação de mercado e organização criminosa, com desvios estimados em até R$ 12 bilhões. A PF já cumpriu mandados em cinco estados, e a investigação tramita em sigilo no STF desde o final de 2025.
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) manifestou preocupação com riscos técnicos, enquanto fontes da PF avaliam as medidas como obstáculos ao andamento natural do trabalho.
O inquérito segue prorrogado até março, com possibilidade de novas extensões.


















