A fala ocorre um dia após o republicano ameaçar que “coisas ruins acontecerão”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta sexta-feira (20) que está avaliando um ataque militar contra o Irã. A declaração veio em resposta direta a repórteres na Casa Branca, que questionaram se ele considerava uma ofensiva limitada para pressionar Teerã a fechar um novo acordo sobre o programa nuclear iraniano.
Trump respondeu de forma evasiva, mas afirmativa:
“Acho que posso dizer que estou considerando”.
A fala ocorre um dia após o republicano ameaçar que “coisas ruins acontecerão” e que o Irã “terá que dar um passo além” caso não chegue a um “acordo significativo” nos próximos 10 dias.
A pressão diplomática é acompanhada de escalada militar: o grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln está posicionado a cerca de 700 km da costa iraniana, e o USS Gerald R. Ford – o maior navio de guerra do mundo – se aproxima para se unir à frota no fim de semana, com dezenas de aeronaves e mísseis Tomahawk prontos.
Autoridades americanas, sob anonimato, revelaram à Reuters e ao Wall Street Journal que o Pentágono discute opções de ataque limitado, incluindo alvos individuais (como líderes da Guarda Revolucionária Islâmica, inspirado em ações israelenses na “guerra de 12 dias” de 2025) ou até estruturas governamentais e militares.
Uma ofensiva maior, com possibilidade de mudança de regime, também foi mencionada, embora Trump tenha prometido durante a campanha evitar intervenções prolongadas como no Iraque e Afeganistão.
As negociações nucleares, retomadas com mediação de Omã e segunda rodada em Genebra no dia 17, registraram “pequenos avanços”, mas seguem tensas. Os EUA exigem limites rigorosos ao enriquecimento de urânio, restrições a mísseis balísticos e fim do apoio a grupos como Hezbollah e Houthis. Teerã defende que seu programa é pacífico e realiza exercícios militares com a Rússia no Golfo de Omã, Estreito de Ormuz e Oceano Índico, ameaçando bloquear rotas estratégicas em retaliação.
O primeiro-ministro polonês Donald Tusk alertou cidadãos para deixarem o Irã imediatamente, citando risco “muito real” de conflito armado. A tensão já impacta o mercado: preços do petróleo sobem com temor de disrupção no suprimento global.
Trump reforçou que “seria muito sensato” o Irã fechar acordo com seu governo, mas a retórica de confronto eleva o risco de escalada regional, especialmente após repressão a protestos internos no Irã em janeiro e recuo de ataques americanos no mês passado por suspensão de execuções.


















