Trump convida Lula para integrar “Conselho da Paz” em Gaza; Presidente brasileiro ainda não respondeu
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a criação de um “Conselho da Paz” (Board of Peace) para supervisionar a transição política, a reconstrução e a governança da Faixa de Gaza na segunda fase do plano americano pós-cessar-fogo.
Como parte do esforço para formar o grupo, Trump enviou convite oficial ao petista Lula da Silva para que o Brasil integre o colegiado como membro fundador.
O convite foi encaminhado à embaixada brasileira em Washington, mas o Palácio do Planalto ainda não confirmou recebimento nem se Lula aceitará participar.
O presidente brasileiro tem histórico de críticas duras às ações militares em Gaza, tendo classificado a situação como genocídio em declarações passadas.
Preservando as palavras exatas de Lula em setembro de 2025 (pouco antes do acordo de cessar-fogo):
“Não acho que em Gaza tem uma guerra. Tem um genocídio. Em Gaza tem um exército altamente sofisticado matando mulheres e crianças. E até o próprio povo judeu está contra isso.”
Trump, que presidirá o conselho, exaltou a composição do grupo ao anunciá-lo neste sábado (17). Preservando a declaração do presidente americano:
“Posso dizer com certeza que é o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar.”
Entre os membros já confirmados ou convidados estão o secretário de Estado Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o presidente egípcio Abdel Fatah Al-Sisi, o primeiro-ministro canadense Mark Carney (que sinalizou aceitação), o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, o bilionário Marc Rowan e Robert Gabriel (assessor de Trump no Conselho de Segurança Nacional).
O presidente argentino Javier Milei confirmou o convite em suas redes sociais, descrevendo-o como “uma honra” e sinalizando adesão como membro fundador.
O conselho discutirá temas como fortalecimento da governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos e financiamento em larga escala.
A iniciativa faz parte da Fase Dois do plano de 20 pontos apoiado por Washington, que inclui o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG), desarmamento de forças “não autorizadas” (com “sérias consequências” em caso de descumprimento), criação da Força Internacional de Estabilização (ISF) sob comando do major-general americano Jasper Jeffers, e transição para administração tecnocrática.
O enviado especial Steve Witkoff anunciou o início da fase em 14 de janeiro, destacando resultados da Fase Um: manutenção do cessar-fogo, entrada massiva de ajuda humanitária e libertação de todos os reféns sobreviventes, além da devolução de restos mortais.
O Itamaraty avalia o convite em sigilo, sem manifestação oficial até o momento.
A aceitação poderia representar uma aproximação inédita entre Lula e Trump, em contraste com o histórico de tensões diplomáticas, mas também geraria debate interno no Brasil sobre alinhamento com a política americana no Oriente Médio


















