Ministro da Defesa José Múcio alerta: seria ingênuo não investir em defesa, pois ‘tudo pelo qual o mundo briga nós temos aqui’
Em entrevista exclusiva à colunista Míriam Leitão na Globonews, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, defendeu com urgência maiores investimentos em defesa nacional, argumentando que o Brasil possui recursos naturais estratégicos que atraem interesses globais em um cenário de crescentes tensões geopolíticas.
Ele citou explicitamente a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela como exemplo de que poder militar pode prevalecer sobre soberania formal.
O ministro destacou a riqueza brasileira em petróleo, gás, minerais, terras raras e água doce, elementos cada vez mais disputados no mundo.
“Tudo pelo qual o mundo briga temos demais aqui. Temos petróleo, temos gás, temos todos os minerais, temos as terras raras, temos água doce, temos tudo.”
Múcio usou o caso venezuelano para ilustrar vulnerabilidades, lembrando que, mesmo com o regime chavista mantido, os EUA estabeleceram controle sobre o petróleo.
“É uma mudança de paradigma. Nós achávamos que se nós estivéssemos dentro dos nossos direitos, estávamos protegidos. Os Estados Unidos, com o que fez na Venezuela, mostrou que ‘você está nos seus direitos, se eu quiser, eu entro, eu tenho mais força que você’.”
“Dizer a você que não podemos nos preocupar talvez seja ingênuo demais, porque nós temos tudo. Se ele disse que quer petróleo, repara, ele estabeleceu lá um regime político novo. O país é um país de esquerda, é um país, nitidamente, um país socialista, o chavismo está lá. Ele não trocou ninguém, pelo contrário, quando ele assumiu, deu um chega para lá na oposição, que nós achávamos que estava ali querendo restaurar a democracia.”
O titular da pasta ressaltou as extensas fronteiras do Brasil — 16.700 km terrestres e 8.500 km marítimas —, comparáveis à fronteira EUA-México, e mencionou ameaças como crime organizado na Amazônia, rotas de drogas, disputa pelo Essequibo (Guiana) e exploração da Margem Equatorial.
Ele informou que o governo aprovou R$ 30 bilhões extras (R$ 5 bilhões anuais por seis anos), fora do arcabouço fiscal, para aquisição de equipamentos estratégicos como aviões e submarinos, essenciais para o Plano Nacional de Defesa. Apesar do avanço, Múcio reconheceu que o Brasil permanece distante de potências como EUA (US$ 1,5 trilhão planejados) e China.
Ele defendeu que investir em defesa não compete com saúde ou educação, mas protege soberania e recursos nacionais.
“A gente precisa para defender as nossas fronteiras, defender o que é nosso, a gente não pode se entregar.”
A declaração coincide com pesquisa Genial/Quaest que revela 58% dos brasileiros temendo intervenção externa similar à da Venezuela.
Múcio criticou o histórico descaso com a defesa no país e pediu que o tema seja prioridade em qualquer plataforma política.
“Nós não cuidamos da defesa no Brasil por conta da sua pergunta inicial, dos assuntos passados, nós relegamos a defesa. E hoje, a nossa luta é para que isso seja um tema principal de qualquer plataforma, de qualquer presidente.”
O alerta reforça debates sobre soberania nacional, segurança energética, proteção de recursos naturais e modernização das Forças Armadas em meio ao novo contexto geopolítico global.


















