A empresa Maridt Participações, pertencente aos irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e que já deteve cerca de um terço das cotas no resort de luxo Tayayá, localizado no interior do Paraná, registra como sede uma residência de 130 metros quadrados situada no bairro Jardim Universitário, em Marília, no interior de São Paulo.
Esse endereço corresponde à casa de José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro, que consta como diretor-presidente da companhia. O imóvel apresenta evidentes marcas de desgaste: a pintura externa exibe rachaduras em determinados trechos, e tanto o piso da garagem quanto o da calçada estão danificados e quebrados.
Repórteres do Estadão visitaram o local, identificado por meio de registros na Junta Comercial de São Paulo, e conversaram com Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio. Ao ser questionada, ela afirmou desconhecer completamente que sua residência figurasse como sede da Maridt e disse não ter qualquer informação sobre envolvimento do marido com o resort.
Assista a parte 1 e 2 da entrevista:
De acordo com ela, José Eugênio, engenheiro eletricista de profissão, encontrava-se em viagem a trabalho. O jornal tentou contato com ele por mensagem, sem obter resposta até a publicação da matéria. O ministro Dias Toffoli também não se pronunciou sobre o assunto.
“Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro, por 25 anos”, disse Cássia. “Eu falei para as minhas irmãs que eu tenho vontade de sumir daqui. As pessoas ficam inventando coisas, que (José Eugênio) é dono do Tayayá”, declarou ela ao ser indagada sobre a ligação do esposo com a Maridt e a participação da empresa no empreendimento de luxo.
Conforme reportagem anterior do Estadão, em 2021 os irmãos Toffoli negociaram metade de sua fatia no resort, avaliada em R$ 6,6 milhões, para um fundo administrado pelo pastor e empresário Fabiano Zettel, que é cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Dias Toffoli atua como relator do inquérito relacionado ao caso Master no STF, que abrange também investigações sobre a Reag Investimentos, gestora dos fundos participantes da operação.
Toffoli assumiu a relatoria do inquérito depois de acolher solicitação da defesa de Daniel Vorcaro para que o processo fosse elevado ao Supremo.
“Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, completou ela.
Questionada se o marido já havia mencionado algo a respeito do Tayayá Resort, a cunhada do ministro respondeu: “Eu não sei e não quero nem saber”.
A residência onde a reportagem foi recebida foi adquirida por R$ 27 mil em 1998, com financiamento da Caixa Econômica Federal. Aplicando a correção pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), índice frequente no setor imobiliário, o valor estimado hoje chega a R$ 276 mil.
“Quando eu financiei essa casa, eu morava com meu pai; a gente não tinha nem como fazer essa casa, não tinha nem dinheiro”, contou Cássia. “Meu marido é engenheiro e ele trabalha com coisas de engenheiro. Ele é engenheiro eletricista. Ele pega projetos.”
A Maridt constitui uma sociedade anônima, o que torna confidencial o detalhamento de seu quadro societário nos registros da Junta Comercial. No entanto, o e-mail cadastrado para a empresa corresponde às iniciais de José Eugênio: “jedtoffoli”. Ademais, documentos da Junta mostram que ele assinou como presidente nas transações de venda de parte das cotas detidas pela Maridt na Tayayá Administração e Participações e na DGEP Empreendimentos, controladoras do resort — empresas que também contaram com a participação de Mario Umberto Degani, primo do ministro Dias Toffoli.
As alienações das cotas da Maridt ocorreram em fevereiro de 2025, sendo R$ 2,8 milhões pela fatia na Tayayá Administração e R$ 698 mil pela da DGEP, totalizando sua saída definitiva do grupo do resort. Em ambas as negociações, a adquirente foi a PHB Holding, de propriedade do advogado goiano Paulo Humberto Barbosa, que já representou a JBS em disputas tributárias.


















